Ibovespa vira no fim do pregão e fecha em queda de 0,35%

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Atualizado há 5 anos

Se na primeira metade dos negócios o Ibovespa operou com fôlego, a ponto de se firmar no nível dos 109 mil pontos, à tarde, o índice se rendeu ao sentimento de cautela externo. Com Nova York operando no vermelho, à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), a primeira morte confirmada por infecção pela variante Ômicron no Reino Unido e o petróleo em queda, a bolsa brasileira se ancorou no bom desempenho do setor de metais – que respondem a anúncios na Ásia – para tentar se manter no azul na maior parte do dia. Nos últimos minutos do pregão, contudo, enfrentou uma desaceleração contundente, acompanhando uma piora nas bolsas de Nova York, e terminou o dia na mínima, aos 107.383,32 pontos, queda de 0,35%.

Durante a madrugada ocidental, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, sinalizou compromisso por mais estímulos fiscais, em meio à crise de liquidez no mercado imobiliário. Com isso, as ações do setor de metais sustentaram altas robustas durante todo o dia e puxaram o desempenho do Ibovespa pela manhã. A Vale, que tem o maior peso no índice, terminou o dia em alta de 2,92%. Além disso, com o dólar valorizado, as ações de exportadoras deram sustentação para o desempenho positivo da bolsa hoje.

Esses foram os maiores contrapesos do dia para o Ibovespa, com o sentimento de aversão a risco capitaneando os mercados globais à espera de uma semana agitada à frente, com decisões de política monetária na zona do euro, na Inglaterra e, sobretudo, nos EUA. Na quarta-feira, o Fed deve anunciar uma mudança no ritmo da retirada de estímulos monetários (o tapering) e, consequentemente, no prazo para o início da alta de juros nos EUA. A aceleração do tapering coloca incertezas sobre o fluxo de investimentos global, sobretudo em relação a emergentes, que podem ver uma fuga de capital.

“Começamos com tom mais otimista, puxado sobretudo por notícias que vieram da Ásia, com estimulo do setor imobiliário, que tende a consumir muita commodity”, afirma Pedro Gimenes, sócio e líder da mesa de renda variável da Blue3, completando: “Ao longo do dia, tivemos um pouco de realização no exterior. Na sexta-feira, as bolsas americanas fecharam na máxima histórica, mas hoje abriram cautelosos, principalmente porque teremos decisão de política monetária lá fora (nos EUA)”.

Aqui, pesa ainda a expectativa dos investidores em relação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã. A percepção é de que o Banco Central pode ser menos duro do que soou no comunicado pós-reunião, após dados de atividade indicarem desaceleração, ao mesmo tempo em que a inflação parece ter chegado a um ponto de inflexão.

Além disso, o anúncio de que a variante Ômicron da covid-19 fez sua primeira vítima fatal no Reino Unido colocou mais incertezas no mercado e, além de conter o desempenho das bolsas lá fora, derrubou ações ligadas ao turismo no mercado brasileiro. Tanto que Gol e Azul listaram entre as maiores queda do Ibovespa durante a maior parte do pregão.

“O mercado tem monitorado o avanço da Ômicron. Alguns países já estão tomando mais medidas emergenciais. Apesar de essa variante não parecer tão forte, ter um óbito preocupa. Para termos um fim de ano tranquilo, são três fatores (de incerteza) que precisam ser resolvidos: Fed, ata do Copom e o fim (da PEC dos) precatórios. Pra ver se decola o famoso rali de fim de ano”, aponta Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest, lembrando que, apesar de impactar menos os preços agora, a votação da Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios ainda precisa ser finalizada na Câmara.

O efeito Ômicron também prejudicou o petróleo hoje, à medida em que uma nova onda de restrições geradas pela variante impacta a demanda. Além disso, o dólar mais forte torna o barril menos atraente a operadores. Assim, o barril do WTI negociado para janeiro fechou em baixa de 0,53% e o Brent para fevereiro, em queda de 1,01%, prejudicando o desempenho das petroleiras, que ganharam na semana passada com a alta da commodity. No mês, tanto o óleo negociado em Nova York, quanto em Londres têm alta superior a 6%.

Como tantas incertezas, o Ibovespa, que de manhã tocou os 109.492,91 pontos na máxima do dia, em alta de 1,61%, zerou todos os ganhos e não só perdeu o patamar dos 109 mil pontos, mas também os 108 mil reconquistados na semana passada. Apesar do desempenho de hoje, no mês o principal índice da bolsa brasileira ainda acumula alta de 5,37%.

dólar inicia a semana em alta firme, acima do patamar de R$ 5,65, insuflado pelo fortalecimento da moeda americana no exterior, em meio à expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira (15), e à pressão de remessas sazonais de recursos e busca por proteção (hedge) no mercado futuro.

Após vender US$ 687 milhões à vista na sexta-feira, o Banco Central interveio novamente no mercado hoje. Em leilão no início da tarde, quando o dólar renovava máximas, o BC aceitou cinco propostas e vendeu US$ 905 milhões, com taxa de corte de R$ 5,6415.

A atuação da autoridade monetária provocou um alívio temporário da pressão altista e levou o dólar a ser negociado momentaneamente abaixo da linha de R$ 5,65. Ao longo da tarde, contudo, a moeda americana voltou a acelerar, marcando alta superior a 1%. Na

Com mínima a R$ 5,6015 e máxima a R$ 5,6787, o dólar à vista encerrou a sessão a R$ 5,6741, avanço de 1,07%. Na B3, o dólar futuro para janeiro subiu 1,05%, a R$ 5,7005, com giro de US$ 12,4 bilhões.

No exterior, a moeda americana ganhou força em relação às principais divisas emergentes e de exportadores de commodities, embora o real tenha apanhado mais. O índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – operou em alta durante todo o pregão, tendo tocado na casa de 96,400 pontos na máxima do dia. A moeda americana sobe em relação ao euro e a libra, diante da expectativa de que o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, que também se reúnem esta semana, adotem um tom mais ameno que o BC americano, em razão das incertezas sobre o impacto da variante Ômicron do coronavírus na região.

Já está na conta que o Fed vai acelerar o ritmo de redução das compras mensais de bônus (tapering), dados os sinais recentes do presidente do BC americano, Jerome Powell. É grande a expectativa pelas projeções dos integrantes do Fed para indicadores econômicos e, em especial, para a trajetória da taxa de juros entre 2022 e 2024. Pode se consolidar a aposta em alta dos juros nos EUA já no primeiro semestre de 2022 – o que tende a tirar atratividade de ativos emergentes, como real.

Operadores observam que, além do fortalecimento global do dólar, a moeda brasileira sofre com o fluxo de saída típica de fim de ano, dada a remessa de lucros e dividendos. Estaria previsto para esta semana pagamento de dividendos a detentores de ADRs da Petrobras e de juros de bônus perpétuos do Banco do Brasil.

“Mais do que saídas identificamos compras no futuro para hedge de passivos e compromissos futuros. Está tudo associado à perspectiva de que o Fed possa anunciar, na quarta-feira, a aceleração nas reduções das compras de ativos”, afirma Ricardo Gomes Silva, diretor da corretora Correparti, que vê a possibilidade de o dólar voltar ao patamar de R$ 5,70 ao longo da semana. “O BC já mostrou desconforto e certamente vai continuar injetando liquidez via leilões para evitar o descontrole.”

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, ressalta, em relatório, que um “desfecho mais precoce do tapering permitirá uma antecipação do início da alta de juros nos Estados Unidos”, que deve ocorrer em maio de 2022. Damico observa que o desempenho pior do real em relação a seus pares está possivelmente atrelado a “alguma concentração de saída de fluxo no spot”, dado que o BC tem atuado para prover liquidez. Além da pressão sazonal típica de remessas em dezembro, a economista ressalta que o real sofre com a postura dos exportadores, que continuam a deixar recursos no exterior. “É totalmente dentro da lei, porém acaba gerando menor entrada de divisas no curto prazo”, afirma.

Por aqui, a expectativa é em torno da divulgação, amanhã, ata da reunião da semana passada do Copom, em que a taxa Selic foi elevada em 1,50 ponto porcentual, para 9,25% ao ano. Embora o comunicado do comitê tenha sinalizado com manutenção do ritmo de aperto, uma ala do mercado pondera que a ata pode trazer um tom menos duro que o comunicado, abrindo espaço para uma alta menor da Selic em fevereiro, diante da desaceleração da atividade. Essa aposta pode ser reforçada em caso de decepção de dados do setor de serviços amanhã e do IBC-Br, na quarta-feira.

Para o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, o contágio do dólar forte no exterior, os fluxos de recursos e a perspectiva de taxa Selic menor no fim do ciclo devem “sancionar” uma taxa de câmbio acima de R$ 5,61 e podem levar o dólar até a retomar um canal de alta na direção de R$ 5,70.

Os juros futuros tiveram uma segunda-feira, 13, de volatilidade. Pela manhã, as taxas exibiram queda, ainda na esteira do IPCA de novembro abaixo do consenso e com a pesquisa Focus mostrando estagnação da piora das estimativas de inflação, mas à tarde passaram a subir. Investidores aproveitaram a deterioração do câmbio doméstico e o aumento da aversão ao risco no exterior para realizar lucros, após o forte recuo das taxas recentemente, também antes da agenda carregada que a semana reserva. O destaque é a reunião do Federal Reserve na quarta-feira, na qual se espera anúncio da ampliação do ritmo do tapering.

No fim da sessão regular, as taxas estavam nas máximas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 11,485% (regular), de 11,439% no ajuste de sexta-feira; a do DI para janeiro de 2025 subiu de 10,427% para 10,59% (máxima) e a do DI para janeiro de 2027, de 10,341% para 10,49% (regular). No fechamento da sessão estendida, quando a liquidez é bem menor, porém, a realização de lucros perdeu força e as taxas voltaram a cair ante os níveis da regular, fechando, respectivamente, em 11,45%, 10,465% e 10,36%.

Os contratos que mais subiram foram justamente os que mais vinham caindo, ou seja, os da ponta longa, que vinham em baixa há sete sessões. “A curva fechou muito e hoje o dólar não ajudou”, resumiu Vitor Carvalho, sócio-gestor da Laic-HFM, que vê justamente o câmbio como variável-chave para um novo alívio de prêmios na curva. A moeda americana estava bem comportada ante o real na primeira etapa, até com baixa nas primeiras horas, mas passou a renovar máximas no começo da tarde, até a casa dos R$ 5,67, com a piora do humor nos mercados internacionais e fluxo negativo atribuído à sazonalidade de dezembro, quando aumentam as remessas de multinacionais às suas matrizes. Foi a deixa para um ajuste também na curva de juros, dada a grande tomada de risco do investidor na semana passada em função do IPCA de novembro e dados fracos do varejo.

Pela manhã, ainda havia fôlego de queda graças ao Boletim Focus. Após 35 semanas subindo sem parar, a mediana de IPCA para 2021 finalmente cedeu, de 10,18% para 10,05%, o que foi visto como efeito direto da inflação de novembro (0,95%) bem abaixo da mediana das estimativas (1,10%). A de 2022 parou de piorar, repetindo os 5,02%, enquanto os de 2023 e 2024 caíram de 3,50% para 3,46% e 3,10% para 3,09%, respectivamente. Até porque a mediana para a Selic no ano que vem avançou, de 11,25% para 11,50%, refletindo o tom mais firme do comunicado do Copom na busca por conter a deterioração das expectativas.

A expectativa pelo Fed, porém, prevaleceu durante à tarde, com os investidores tentando se antecipar a um tom hawkish, seja no comunicado, seja na entrevista coletiva de Jerome Powell no fim do encontro. Antes do Fed, porém, o mercado tem, amanhã, a ata do Copom e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) para repercutir logo cedo.

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