Ícone da hotelaria de São Paulo, o Maksoud Plaza anunciou na terça-feira, 7, aos 42 anos, o encerramento das atividades. O espaço, que teve seu auge nos anos 1980 e 1990 e recebeu famosos nacionais e internacionais como Frank Sinatra, continuará a existir enquanto marca.
O hotel estava em recuperação judicial desde 2020, cuja ação apontava dívida de R$ 81 milhões. Em nota, a administradora (HM Hotéis) e a controladora (Hidroservice Engenharia) atribuem o fechamento à “crise da covid-19” e ao “plano de reestruturação do Grupo Hidroservice”. Uma reportagem do em 2020 também apontou que o espaço era alvo de uma longa disputa familiar
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O comunicado aponta que novidades e novos empreendimentos serão anunciados “em breve”, sem trazer detalhes. O espaço físico do hotel foi a leilão judicial em 2011 (por dívidas trabalhistas), no qual foi arrematado por R$ 70 milhões pelos empresários Fernando Simões e Jussara Elaine Simões (ligados à JSL Logística), porém a venda foi questionada por anos na Justiça. Ele deve ser entregue até o fim do mês aos donos.
Em nota, os proprietários do imóvel destacaram que a “arrematação se restringe ao imóvel, não envolvendo, portanto, nenhuma das atividades antes exercidas no local”, sem informar detalhes sobre os planos para o uso do espaço.
O endereço – na Rua São Carlos do Pinhal, região da Avenida Paulista – virou referência pela fachada colorida, os elevadores panorâmicos e a vista do centro expandido paulistano. O comunicado do hotel ainda lembra os mais de 3 milhões de hóspedes que passaram pelos 416 quartos. Segundo informa, os clientes com reservas serão “imediatamente” reembolsados.
Os últimos hóspedes, o casal de namorados Marina Gryczynki, de 26 anos, e Eduardo Gomes, de 34, afirmam que na noite da segunda-feira encontraram as malas já na recepção feitas pelos próprios funcionários e um aviso do encerramento das atividades. O casal narrou o episódio nas redes sociais. “Passamos o dia passeando e, quando voltamos ao hotel, o segurança barrou a gente. Tinha uma movimentação estranha e não vi ninguém. Aí, entendemos que o hotel estava fechado e éramos os últimos hóspedes e eles estavam aguardando a nossa chegada”, conta Mariana. O casal reconhece que o hotel tentou entrar em contato, mas não houve aviso do encerramento.
No local, também havia um centro de eventos, teatro, algumas lojas, restaurante e bares, incluindo o premiado Frank Bar. na terça-feira, o acesso ao hotel estava fechado com gradis. Dentro, os 170 funcionários continuam trabalhando, desmontando e embalando os móveis. Bartender do premiado Frank Bar, localizado no lobby do hotel, Rafael Pires diz que havia rumores sobre o fechamento. “A notícia foi chocante. Ficamos bem tristes por todas as famílias que receberam essa notícia do fim de suas rendas, nesse período incerto.”
A assistente de contabilidade Juliana Alcantara, de 32 anos, conseguiu na terça-feira uma autorização da segurança para se aproximar e tirar uma foto da entrada do hotel. Ela diz ter duvidado do fechamento e, por isso, resolveu ir até lá, onde se casou há dez anos. Foi a primeira vez que voltou ao local depois disso. “Esse lugar faz parte da minha história”, comentou, emocionada.
Com 42,2 mil m², o hotel foi fundado em 9 de setembro de 1979, após três anos de obras no terreno, onde antes havia uma abadia de monjas beneditinas. Nas décadas seguintes, atraiu empresários, famosos e autoridades e se tornou um dos mais luxuosos hotéis de cinco-estrelas no Brasil, liderado na maior parte de sua história pelo idealizador, o engenheiro Henry Maksoud, morto em 2014.
O prédio em que funcionava teve projeto arquitetônico de Paulo Lucio de Brito, então funcionário da Hidroservice. No interior, o grande átrio era a maior marca do hotel e foi inspiração para outros estabelecimentos pelo Brasil, pelo grande vão vertical que vai do lobby ao último andar, cercado por corredores avarandados e com jardins suspensos e elevadores panorâmicos. A iluminação natural por meio de um teto de vidro, a piscina com fios de ouro, o espelho d’água e outros detalhes também chamam a atenção.
Um dos momentos mais marcantes do local foi um show de Frank Sinatra, em 1981, no salão nobre. Entre os espaços icônicos que o hotel abriu está o 150 Night Club, boate e clube de jazz que recebeu nomes como Buddy Guy, Julio Iglesias, Tom Jobim, Tim Maia e Gonzaguinha. Nas primeiras décadas, o local hospedou Margareth Thatcher, os Rolling Stones, Ray Charles, Catherine Deneuve e Pedro Almodóvar, dentre outros famosos.