O Itaú Unibanco, maior banco privado do País, anunciou na segunda-feira, 2, que teve lucro líquido recorrente de R$ 6,54 bilhões, alta de 55,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado mostra que a instituição financeira conseguiu se recuperar em relação ao período de abril a junho de 2020, em que os bancos foram fortemente afetados pelo início da pandemia de covid-19, que acarretou o fechamento da economia e um grande programa de renegociação de débitos de pessoas físicas e empresas.
Na primeira divulgação de resultados integral da gestão de Milton Maluhy, que assumiu o comando do Itaú em março último, o desempenho do banco foi puxado pela queda abrupta do custo de crédito, além de ganhos com empréstimos, tesouraria e com receitas de serviços e tarifas. Com mais apetite para emprestar, melhorou suas projeções para 2021 (mais informações nesta página).
“Os resultados alcançados neste trimestre refletem a nossa disciplina na execução da agenda de transformação do banco, com foco na experiência de nossos clientes, além da melhora na atividade econômica”, afirmou Maluhy, em nota à imprensa.
A carteira de crédito total do Itaú alcançou R$ 909,1 bilhões no segundo trimestre. Em um ano, houve avanço de 12,0%, dando combustível para o banco melhorar suas projeções para 2021. O empurrão veio dos empréstimos às pessoas físicas, que cresceram 22,3% no mesmo período. A variação do crédito às empresas teve alta de 9,3% em um ano.
A margem financeira gerencial do Itaú Unibanco somou R$ 18,792 bilhões no segundo trimestre, alta de 0,8% em relação aos três meses anteriores. Em um ano, houve um salto de 5,7%, com empurrão, principalmente, dos ganhos do banco com tesouraria. “A margem financeira com clientes cresceu 3,9% no trimestre devido ao maior volume médio de crédito, da maior representatividade das carteiras de créditos rotativos e da maior quantidade de dias corridos no trimestre”, explica o Itaú, na apresentação sobre seu balanço.
Já o custo do crédito do Itaú foi a R$ 4,69 bilhões no segundo trimestre, queda de 39,6% em um ano. “Os indicadores de atraso em patamares bastante baixos demonstram a boa qualidade de nossa carteira”, disse o diretor financeiro (CFO) do Itaú Unibanco, Alexsandro Broedel.
Envolto na revisão do seu banco de varejo no Brasil, o Itaú encerrou junho com R$ 2,065 trilhões em ativos totais, queda de 0,5% em um ano. O patrimônio líquido foi a R$ 136 bilhões, alta de 7,7% na mesma base de comparação.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) da instituição chegou a 18,9% no segundo trimestre, ante 18,5% no primeiro. Em um ano, estava em 13,5%, quando o retorno do banco sentiu o baque da pandemia, que levou a um reforço bilionário nas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs.
Ao esmiuçar os números do segundo trimestre, o banco divulgou ainda um lucro líquido contábil de R$ 7,560 bilhões no período, um salto de 120,8% em um ano e de 39,6% no comparativo trimestral.
Dentre as diferenças para o resultado recorrente, está um efeito positivo da reavaliação do estoque de crédito tributário por conta da majoração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de R$ 1,275 bilhão. A alíquota passou de 20% para 25% entre julho e dezembro deste ano.