O presidente Jair Bolsonaro recebeu na segunda-feira, 26, no Palácio do Planalto, a deputada alemã Beatrix von Storch, neta de um ministro de Adolf Hitler. Ela integra o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), sigla fundada em 2013 e acusada de difundir ideias neonazistas. Uma foto do encontro – ocorrido na semana passada e não previsto na agenda oficial – foi publicada pela parlamentar, ontem, em seu perfil no Instagram.
“Gostaria de agradecer ao presidente brasileiro a amistosa recepção e estou impressionada com sua clara compreensão dos problemas da Europa e dos desafios políticos de nosso tempo”, escreveu Beatrix, cujo avô, Lutz Graf Schwer, foi ministro das Finanças de Hitler. Na foto, além da parlamentar – investigada pelo serviço de Inteligência alemão por propagar ideias neonazistas – e de Bolsonaro, está o marido de Beatrix, Sven von Storch.
Na semana passada, Beatrix já havia se reunido com os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF). O encontro causou reação do Museu do Holocausto e da Confederação Israelita do Brasil (Conib). “Alternativa para a Alemanha é um partido com tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração”, diz nota divulgada pelo museu no dia de reunião de Beatrix com Bia Kicis. “É evidente a preocupação e a inquietude que esta aproximação entre tal figura parlamentar brasileira e Beatrix von Storch representa.”
A Conib disse lamentar a recepção dada a Beatrix. “Trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto. A Conib busca representar a tolerância, a diversidade e a pluralidade que definem a nossa comunidade, valores estranhos a esse partido xenófobo e extremista”, afirmou.
Em 2018, Beatrix foi temporariamente banida do Twitter e investigada por discurso de ódio contra muçulmanos. Na época, ela questionou a polícia da cidade de Colônia por divulgar uma mensagem de fim de ano em árabe: “Comemore – com respeito”, dizia o texto, postada em inglês, francês e persa. “Por que a página oficial da polícia tuíta em árabe?”, escreveu Beatrix em 31 de dezembro. “Estão tentando apaziguar as hordas de homens bárbaros, muçulmanos e estupradores?”. O post foi excluído.
Para o cientista social Daniel Douek, diretor do Instituto Brasil-Israel, o encontro de Bolsonaro com Beatrix é uma tentativa de mostrar a apoiadores que existem pessoas com ideias convergentes às suas. “Trata-se de uma demonstração de força. Identificam-se aliados de fora para melhor combater os inimigos de dentro”, afirmou.