A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou análise interina da vacina contra a covid da Universidade de Oxford com a AstraZeneca e recomendou uso mesmo em países que tenham a presença de novas variantes do coronavírus Sars-CoV-2. Mas sugeriu que cada nação faça a própria análise de risco-benefício. A OMS também recomendou o uso do imunizante para todos os adultos, incluindo aqueles acima de 65 anos.
A organização divulgou um guia interino de recomendações, após análise feita pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização da ONU (Sage), que se reuniu para revisar as evidências sobre a vacina de Oxford – incluindo seu desempenho contra as variantes virais – e para considerar o impacto do produto e avaliar o risco-benefício em casos com dados limitados, como nos idosos com mais de 65 anos, crianças e grávidas.
O Sage levou em consideração a decisão tomada pela África do Sul no domingo de suspender o uso do imunizante após constatar que teve uma eficácia muito baixa contra casos leves e moderados da doença em pessoas contaminadas com a nova variante surgida no país. A medida foi tomada após um estudo com poucos participantes avaliar que a eficácia era de apenas 22% no país.
Mas, justamente por ser um teste com uma amostra pequena, ele não mediu a eficácia contra casos mais graves, que possam levar a hospitalização ou morte. “O pequeno tamanho da amostra não permitiu uma avaliação específica da eficácia contra casos graves da doença. A evidência indireta é compatível com a proteção contra covid-19 grave”, ma s isso precisa “ser demonstrado em ensaios clínicos”, aponta o guia da OMS.
Essa discussão lança um alerta ao Brasil. A variante descoberta em Manaus ainda não foi confrontada com as vacinas disponíveis no País e a vigilância da nova cepa está lenta, com a redução dos exames para sequenciar o coronavírus.