Ouro fecha em alta após 5 quedas consecutivas, de olho em câmbio e pacote fiscal

O ouro reverteu tendência recente e fechou em alta nesta terça-feira, 2, reagindo ao enfraquecimento do dólar ante moedas concorrentes. Desta forma, o metal fica mais barato e mais interessante a negociadores de outras divisas. A sessão de hoje marcou o primeiro avanço do ouro depois de cinco quedas seguidas, provocadas em grande parte pela alta nos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida pública americana. O mercado também monitora a tramitação do pacote de estímulo fiscal de US$ 1,9 trilhão, que pode ser aprovado em breve pelo Congresso dos Estados Unidos.

O ouro com entrega prevista para abril fechou em alta de 0,62%, em US$ 1733,60 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

Mais do que o alívio no movimento de venda dos títulos dos Treasuries entre investidores, o principal driver a direcionar o ouro aos ganhos hoje foi a queda do dólar ante rivais. Em relatório a clientes, o Commerzbank nota que a trajetória dos contratos do metal precioso durante a sessão esteve diretamente ligada à performance da moeda americana.

Investidores ainda acompanham de perto a possível aprovação nas próximas semanas de uma nova rodada de estímulos fiscais nos EUA. A expectativa de alta inflacionária causada pelo pacote trilionário, apesar de ter movido os juros dos Treasuries para cima recentemente, pode beneficiar o ouro.

O analista da US Global Investors, Frank Holmes, avalia que a perspectiva a médio e longo prazo para o ouro é positiva, diante de uma provável retomada da inflação nos EUA na segunda metade de 2021 e o movimento de venda dos títulos dos Treasuries já esgotado. “Espero que o ouro ganhe impulso quando os preços ao consumidor realmente começarem a subir com os estímulos adicionais. Até lá, vejo um momento atraente para comprar posições do metal”, afirmou em relatório.

Em contrapartida, o analista do Julius Baer, Carsten Menke, diz que a trajetória de baixa do metal deve se manter ao longo deste ano, pressionado pelas expectativas de retomada da atividade, já que a recuperação da economia global deve diminuir a demanda por ativos seguros. “O ritmo de venda dos contratos do ouro sugere que o mercado está precificando um cenário de recuperação rápida”, avalia o economista, que completa ao afirmar que, apesar de investidores estarem “um pouco otimistas demais, os níveis atuais do preço do ouro não representam uma oportunidade”.

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