Um museu de alma acolhedora, amigável e, principalmente, inclusivo. Esse é o objetivo da Pina Contemporânea, o terceiro edifício da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Com inauguração prevista para dezembro de 2022, o espaço vai se conectar ao Parque da Luz e investir na interação com o público e na revitalização da região.
Com as obras e o acréscimo de mais um prédio, a Pinacoteca espera no futuro dobrar o número de visitantes e atingir a marca de 1 milhão de pessoas por ano – transformando-se em um dos maiores museus da América Latina.
Como o próprio nome já indica, o museu será focado em arte contemporânea e experimentações. A construção fica próxima dos dois prédios já existentes, a Pina Luz e a Pina Estação, na Avenida Tiradentes 273, na Luz – justamente no local que foi a sede do Grupo Escolar Prudente de Moraes (até 2014). O terreno foi cedido à Secretaria da Cultura e Economia Criativa em 2018.
No projeto, estão mantidos os volumes arquitetônicos dos dois blocos já existentes no terreno. Conectando esses dois blocos, haverá uma grande praça pública coberta, com 1.339,2 m². Um subsolo e um mezanino complementam a proposta do museu.
Já a ligação entre o prédio da Pina Luz e o novo museu será por meio de um jardim, batizado de Jardim da Arte. Embora já exista, esse espaço também será remodelado e deverá receber instalações artísticas.
A obra, avaliada em R$ 85 milhões, é custeada pelo governo do Estado de São Paulo e a iniciativa privada. O projeto é do escritório Arquitetos Associados, de Belo Horizonte, em colaboração com Silvio Oksman.
“Esse projeto de museu é menos um cubo branco e mais uma praça pública”, diz o diretor-geral da Pinacoteca de São Paulo, Jochen Volz. Para ele, aproximar as pessoas e as famílias do museu é uma forma de trazer vida ao centro e ajudar na solução de problemas sociais.
A Pina Contemporânea vai abrigar esculturas de maior escala, receber programas pedagógicos e aumentar a reserva técnica para novos acervos. A área total será de 5.878 m². Já a área expositiva, contando os três edifícios, será de 9.112 m². Hoje, a Pinacoteca já abriga cerca de 11 mil obras. Depois da ampliação, a capacidade deve chegar perto de 14 mil itens nos próximos anos.
Com esse acréscimo de espaço a Pinacoteca terá capacidade de receber coleções que a estrutura da Pinacoteca não consegue expor hoje, como as esculturas do artista Tunga, além de oferecer mostras com mais tecnologia e interação. Quando for inaugurado, o público poderá usar o mesmo ingresso para os três museus.
O secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, imagina a Pina Contemporâneo como um dos vetores de revitalização do centro. “Este prédio (o principal da pinacoteca) é voltado para dentro. A Pina Contemporânea será voltada para fora, para que as pessoas entrem e se apropriem dela”, disse.
Quem for à Pinacoteca e quiser ter um vislumbre de como ficará o local a partir do fim do próximo ano, pode se dirigir a uma das varandas da Pina Luz e apontar o celular para um QR Code. Depois, é só colocar o aparelho em direção ao jardim. Em realidade aumentada já é possível ter uma prévia do que virá.
O anúncio das obras foi feito em entrevista coletiva ontem, dia 23, e contou com a presença dos secretários de Cultura estadual e municipal, Sérgio Sá Leitão e Aline Torres, e o diretor do museu, Jochen Volz. O governador João Dória (PSDB) não compareceu, pois estava em Brasília tratando de questões sobre as prévias presidenciais do PSDB.
Segundo a Pinacoteca de São Paulo, 70% do público atual experimenta no local seu primeiro contato com museus. Aproveitando esse papel de formação, a Pina Contemporânea quer abrigar programas pedagógicos para alunos de escolas públicas e privadas. O novo espaço poderá receber vários grupos ao mesmo tempo.
Avaliado em R$ 85 milhões, o projeto recebeu R$ 55 milhões do Estado de São Paulo e R$ 30 milhões de patrocínio privado. “Fico muito feliz de estar conseguindo realizar (o espaço) em um panorama muito adverso para a cultura, seja pela virtual ausência de política em nível federal, seja pelo quadro da pandemia”, afirmou Sá Leitão. A inauguração da nova Pinacoteca está prevista para dezembro de 2022, mas as atividades culturais devem começar um pouco antes, com a conclusão da primeira parte da reforma.
A Pinacoteca é o museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo governo do Estado de São Paulo. Seu acervo original foi formado com a transferência de 26 obras do Museu Paulista da Universidade de São Paulo. Entre as peças do acervo estão trabalhos de artistas como Anita Malfatti, Lygia Clark, Tarsila do Amaral, Almeida Junior e Candido Portinari e outros.