Polícia do Paraguai fecha bunker que fazia execuções

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Atualizado há 5 anos

A polícia paraguaia invadiu, na noite da segunda-feira, 25, uma casa transformada em bunker por quadrilhas responsáveis por dezenas de execuções na fronteira do Brasil com o Paraguai. No imóvel, em Pedro Juan Caballero, os policiais apreenderam armas, ao menos 400 munições de fuzil, carregadores de precisão, miras telescópicas, máscaras de látex, coletes táticos e uniformes de camuflagem. Dois carros achados no local foram usados em oito execuções recentes na cidade e na vizinha brasileira, Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Segundo o Departamento de Investigações da Polícia Nacional, o bunker funcionava como “quartel-general” dos “justiceiros da fronteira”, como se intitulam grupos armados a serviço das facções criminosas que disputam o tráfico de drogas e armas na região. No imóvel, protegido por câmeras e muros altos, foram encontrados cartazes semelhantes aos deixados com frases de ameaças, ao lado dos corpos, nas execuções. Não havia ninguém no local e poucas armas foram apreendidas, o que levou à suspeita de que os grupos foram avisados da operação.

Um dos veículos apreendidos, um Chevrolet Cobalt sem placas, foi usado nas execuções de Luis Mateo Martinez Amoa, de 21 anos, e da namorada dele, Anabel Centurión Mancuello, de 22, em julho último, em uma choperia de Pedro Juan. O mesmo carro foi visto nas execuções de Jorge Ortega Garcia, 27, em setembro, e no assassinato do advogado e candidato a vereador Nestor Ramón Echeverria, dia 30 de setembro. O outro veículo, um Hyundai Santa Fé com placas do Brasil, pode ter sido usado na execução do agente policial Hugo Ronaldo Acosta, de 32 anos, no último dia 12.

PERÍCIA. Na churrasqueira da mansão, os policiais acharam documentos queimados que podem estar relacionados às execuções. As partes recuperadas passarão por perícia. Na última execução atribuída aos justiceiros, o ex-jogador e advogado Joel Angel Villalba Aquero, de 45 anos, foi morto anteontem com dezenas de tiros em frente à sua casa, no bairro Dom Bosco, em Pedro Juan. O pai dele foi atingido de raspão. Aquero havia sido preso em junho de 2006, em Curitiba (PR), quando entregava oito quilos de cocaína a um uruguaio. Ele cumpriu pena por tráfico e, no início de 2020, foi entregue às autoridades do país vizinho.

As ações da polícia paraguaia contra os grupos que atuam na fronteira foram intensificadas após o atentado do dia 10, que resultou nas mortes de três jovens estudantes de medicina – duas brasileiras e a paraguaia Haylee Acevedo Yunis, 21 anos, filha do governador do departamento de Amambay, Ronald Acevedo. O alvo do ataque, Osmar Álvarez Grance, o Bebeto, morreu com o corpo crivado de balas. No mesmo dia, o vereador de Ponta Porã Farid Afif (DEM), de 37 anos, foi executado no lado brasileiro. l

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