População com mais de 18 anos terá dose extra

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Atualizado há 5 anos

O governo federal pretende aplicar uma dose de reforço da vacina de covid-19 para toda a população acima de 18 anos. A aplicação será para quem tomou a segunda dose há mais de cinco meses. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, há “doses de vacinas suficientes” para abastecer as 38 mil unidades básicas de saúde do País.

O Brasil tem 125,5 milhões de pessoas totalmente imunizadas, segundo o levantamento do consórcio de veículos de imprensa. Inicialmente, o reforço estava sendo aplicado a adultos acima de 60 anos, imunossuprimidos (doente crônico, por exemplo) e profissionais de saúde imunizados há seis meses.

Ao todo, 10,7 milhões de pessoas acima de 60 anos e trabalhadores de saúde já receberam reforço. Pelo Ministério da Saúde, outros 12,4 milhões estão aptos a receber mais uma aplicação ainda neste mês. “Tínhamos autorizado essa dose de reforço, adicional, em todos aqueles que tinham tomado a segunda dose há mais de seis meses e que tivessem 60 anos”, afirmou o ministro. “Agora, graças às informações que temos advindas dos estudos científicos, principalmente estudos de efetividade realizados em parceria com a Fiocruz e de um estudo que encomendamos em parceria com a Universidade de Oxford para avaliar a aplicação da 3ª dose, que já temos dados preliminares, nós decidimos ampliar essa dose adicional, dose de reforço para todos aqueles acima de 18 anos que tenham tomado essa segunda dose há mais de cinco meses.”

A intenção da pasta é aplicar o reforço em 103 milhões de pessoas até maio. A faixa da população de 35 a 39 anos é a maior: 10,7 milhões. Segundo Rosana Leite de Melo, secretária de Enfrentamento à Covid, a ideia é que até o meio do ano que vem todos acima de 18 anos tenham recebido a dose extra. De acordo com Queiroga, a dose adicional está sendo aplicada com uma vacina diferente daquelas recebidas inicialmente, a chamada imunização heteróloga. Até o momento, apenas pessoas que tomaram AstraZeneca e Coronavac estão aptas a receber o reforço. Por isso, a aplicação é feita com as vacinas da Pfizer.

Na opinião de especialistas ouvidos pelo , o Brasil deveria concluir o esquema vacinal contra a covid-19 em todas as faixas etárias e garantir uma proteção extra para os mais vulneráveis, antes de ampliar a oferta da terceira dose para toda a população maior de 18 anos. De acordo com os últimos números do consórcio de veículos de imprensa, 58,7% dos brasileiros estão com o esquema vacinal (de duas doses ou dose única) contra covid-19 completo.

“Há uma baixa procura pela terceira dose entre os grupos que mais precisam: idosos, profissionais de saúde e imunossuprimidos; a adesão está baixíssima”, afirmou a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) Carla Domingues. “Mesmo a segunda dose está baixa ainda; entre os 20 e os 30 anos, a segunda dose está abaixo dos 30%. Como vamos falar em terceira dose se não completamos a segunda? Estamos perdendo o foco.”

Em todo o mundo, um dos únicos países que já está oferecendo a dose para todas as faixas etárias é Israel. No entanto, a vacinação de toda a população foi completada antes ainda no meio do ano. Isabella Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), ressalta que “queremos discutir a terceira dose para todos, mas a prioridade agora é concluir a segunda dose”. “Do jeito que foi anunciado, parece que todo mundo vai ser vacinado amanhã”, disse.

“Estamos, mais uma vez, falhando na comunicação”, completou Carla Domingues.

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