Porsche 911 GT3 é feito para acelerar na pista

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Atualizado há 5 anos

O 911 é um dos mais importantes ícones do mundo automotivo e, para os fãs mais apaixonados da Porsche, a versão GT3 é, certamente, um carro dos sonhos. Ela não é a mais potente – a Turbo S, por exemplo, entrega 650 cv -, mas, com seu boxer de seis cilindros e 510 cv, trata-se da opção mais próxima de um carro de corrida homologado para circular também nas ruas.

São muitas as modificações feitas no cupê. Desde a redução de peso, graças a alterações em várias partes do chassi, até os novos elementos aerodinâmicos, que garantem downforce muito acima do registrado nas demais versões da gama 911.

De tão desejado, o GT3 chega ao Brasil em nova geração com todas as unidades já vendidas. Da produção desta série, a Porsche reservou 40 carros para o mercado brasileiro. O preço inicial é de R$ 1.149.000.

Feito para poucos, o superesportivo alemão pode acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 3,4 segundos. A velocidade máxima é de 318 km/h, de acordo com informações da Porsche.

A maior parte do tempo da apresentação do carro aos jornalistas brasileiros foi dedicada a detalhar as evoluções técnicas implementadas no novo 911 GT3. Segundo a marca, todas as partes do cupê foram revistas para torná-lo o mais próximo possível de um carro de corrida.

Assim, o modelo ficou bem mais leve do que o anterior, tem para-choques e capô redesenhados e a clássica asa traseira, que, nesta 7ª geração, foi fixada pela parte superior da peça. Segundo a Porsche, isso reduziu o arrasto e permitiu concentrar ainda mais pressão aerodinâmica quando o GT3 está rodando rápido – para grudá-lo no chão.

De acordo com a marca alemã, houve aumento de 50% na pressão aerodinâmica em relação ao antecessor. Apenas os novos difusores garantem mais de 60 kg de downforce adicional atrás sem aumentar o arrasto.

Além disso, foi feita uma extensa atualização para reduzir o peso. E isso deu trabalho, uma vez que esta geração, a 992, tem bitolas traseiras mais largas por causa das rodas maiores. Assim, foi preciso diminuir a massa em outras partes do cupê.

O capô, por exemplo, agora é de fibra de carbono – o teto feito com o mesmo material é opcional. O escape tem partes de prata e os novos vidros são cerca de 5 kg mais leves que o do modelo anterior. Em ordem de marcha, o cupê pesa 1.435 kg.

Assim, segundo a Porsche, este 911 GT3 é melhor em todos os aspectos. Contribui com isso a ótima distribuição de peso e o motor 4.0 boxer (de cilindros opostos) instalado na traseira.

ASPIRADO

Em tempos de prevalência do turbo, esportivos sem esse recurso são raros. Pois no novo 911 GT3 a Porsche permaneceu fiel às suas raízes e adotou um motor de seis cilindros naturalmente aspirado. Isso explica porque a versão Turbo S é mais poderosa.

No novo GT3, os 510 cv representam ganho de 10 cv em relação ao motor do antecessor. O boxer produz ronco instigante e gira alto – a potência é entregue a partir das 6.800 rpm e o torque máximo, de 47,9 mkgf, surge às 6.100 rpm.

Isso é graças a recursos como o sistema de injeção de combustível de alta pressão (250 bar). Bem como das atualizações que incluem novas peças feitas de metais mais resistentes ao calor, para garantir que o carro possa ficar por horas acelerando forte na pista. Os pistões, por exemplo, são de alumínio, e as bielas de titânio forjado ficaram mais robustas e leves.

A Porsche mexeu também no câmbio automatizado PDK. Agora, a oitava marcha funciona como “overdrive” nas demais versões do esportivo. Já no 911 GT3, a caixa tem sete velocidades e relações mais curtas, justamente para melhorar as respostas do superesportivo.

Além de melhorar bastante a mecânica e a aerodinâmica, a Porsche redimensionou as suspensões e os freios. A suspensão dianteira, por exemplo, tem braços duplos que, segundo informações da marca alemã, garantem a redução da carga em curvas para preservar a geometria ideal do conjunto e entregar mais firmeza. Como resultado, a dianteira “aponta mais”, como foi possível comprovar ao acelerar o carro na pista.

Na parte traseira, o GT3 traz conjunto do tipo Multilink, ou seja, com braços múltiplos, e juntas esféricas. Além disso, o sistema esterça as rodas de trás em até 2°. Esse recurso reduz bastante o raio de giro em manobras e o esportivo fica ainda mais ágil em curvas rápidas.

Além disso, a Porsche instalou um novo conjunto de amortecedores e molas, com peças auxiliares menores. Por sua vez, há um sistema que aumenta um pouco a altura em relação ao solo. Esse recurso é muito útil para subir rampas, como as de estacionamentos.

O conjunto de freios, que é muito exigido na pista, recebeu vários reforços. Assim, para dissipar melhor o calor, os quatro grandes discos são feitos de carbono cerâmica, e as pinças são enormes. Além de ter maior resistência térmica, o material garante peso 50% mais baixo que o de peças feitas de aço. No GT3, o conjunto dianteiro tem discos de 410 mm de diâmetro e pinças com seis pistões. Atrás, os discos são de 390 mm e as pinças têm quatro pistões.

ESTREIA

A Porsche lançou o novo 911 GT3 no País juntamente com a edição brasileira do evento global Porsche World Road Show. Assim, toda a linha de carros da marca alemã estava disponível para avaliação.

Portanto, nosso contato com o modelo se resumiu a algumas voltas no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), que é homologado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Seja como for, deu para entender o que faz com que essa versão seja a favorita entre os fãs da linha 911.

A esportividade extrema se destaca até na hora de entrar na cabine. A carroceria baixa, quase rente ao solo, exige algum contorcionismo do piloto, que primeiro tem de encaixar o quadril no banco do tipo concha e com grandes abas laterais. O assento tem ajuste manual parcial e garante posição de guiar muito próxima do assoalho.

Na volta inicial, de reconhecimento da pista, o cupê estava configurado no modo Sport, o que já foi suficiente para fazer o corpo grudar no banco. Logo na primeira curva, impressionou a forma com que o GT3 responde rápido aos comandos do piloto. Bastou um leve toque no volante para o carro mudar de trajetória e rumar para a parte interna da pista. A facilidade com que o 911 acelera chama a atenção.

A bordo do esportivo, todos os sentidos ficam alertas. O ronco alto do motor é instigante. As borboletas atrás do volante garantem trocas de marcha muito rápidas e, com isso, aumentam o prazer ao acelerar.

Com o modo Track acionado, o GT3 permite alcançar o “nirvana”. Nesse caso, da arrancada aos 100 km/h o tempo decorrido é de apenas 3,4 segundos. À frente do motorista/piloto, o grande conta-giros analógico vai regendo a sinfonia. O ponteiro, que sobe muito rápido, oscila conforme o trecho da pista e a marcha engatada, mas raramente fica abaixo das 6.000 rpm.

No 911 GT3, as sensações são muito próximas às produzidas por carros de corrida. Contribui com isso a possibilidade de ajustar a asa traseira, o controle de largada e o sistema que grava o tempo das voltas para acompanhar a evolução no circuito.

Ao mesmo tempo, a cabine tem acabamento caprichado, com materiais nobres, e ampla lista de equipamentos. Assim, dá para bancar o piloto sem abrir mão de mimos como o ar-condicionado digital.

FICHA TÉCNICA

Porsche 911 GT3

Motor: 4.0, 6 cil., 24V, boxer, gas.
Potência (cv): 510 cv a 6.800 rpm
Torque (mkgf): 47,9 a 6.100 rpm
Câmbio: Automatizado, 7 m.
Peso: 1.435 quilos
0 a 100 km/h: 3,4 segundos
Velocidade máxima: 318 km/h
Comprimento: 4,57 metros

FONTE: PORSCHE

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