O governo de São Paulo anunciou na terça-feira, 27, uma nova antecipação no cronograma de vacinação contra a covid-19. Com indicadores da doença em queda, a gestão de João Doria (PSDB) também divulgou uma flexibilização mais ampla das restrições vigentes para o comércio a partir do próximo mês.
Batizada de “retomada segura”, a nova flexibilização prevê uma fase de transição de 1º a 16 de agosto, quando o horário de fechamento dos estabelecimentos comerciais passará de 23h para 0h e a ocupação limite, de 60% para 80%.
A partir de 17 de agosto, a flexibilização aumenta para 100% de ocupação e termina a previsão de horário de fechamento. O toque de restrição no Estado também será extinto. Segundo a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, os locais poderão ter ocupação máxima “desde que tenhamos a garantia do distanciamento de um metro entre os que frequentam os espaços”. Com as mudanças para o comércio, faculdades também poderão receber 100% dos alunos.
O governo continua recomendando que se evitem aglomerações. Festas e grandes eventos seguem proibidos – o que vale, por exemplo, para shows e encontros em casas noturnas; as competições esportivas seguirão sem público.
O governo do Estado mantém a recomendação de escalonamento de horários para entrada e saída de trabalhadores dos setores de comércio, serviços e indústrias. Também continuam liberadas as celebrações individuais e coletivas em igrejas, templos e espaços religiosos, desde que cumpridos os protocolos sanitários.
Os parques estaduais passarão a abrir em horário normal a partir de domingo. “A vida está voltando ao normal no Estado”, declarou Doria.
Foi a primeira vez que o governador participou presencialmente do informe do governo estadual sobre a pandemia desde que ele foi reinfectado. Doria disse que passou o período de 14 dias, sem apresentar sintomas.
O Estado tem 4.015.426 casos e 137.740 óbitos por coronavírus confirmados. A taxa de ocupação é de 53% em UTI, de acordo com a Sede (Sistema Estadual de Análise de Dados).
Ao todo, São Paulo está com 5.907 de internados em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com quadro relacionado à covid-19. O índice de ocupação nessa ala foi de 53% – o menor do ano no Estado. Já o número é de 5.555 hospitalizados em leitos de enfermaria. O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, alerta que as internações caíram 62,7% e os óbitos recuaram 57% em relação ao auge da segunda onda.
O governo tem adotado flexibilizações das atividades econômicas, como outros países em que houve avanço da vacinação, mas não sinaliza para derrubar a exigência de máscaras – nos Estados Unidos, o item de proteção facial voltou a ser exigido diante do aumento de casos da variante Delta, cepa mais transmissível, identificada originalmente na Índia.
O Estado de São Paulo já registrou 15 contaminados por essa variante, mas especialistas acreditam que pode haver subnotificação de casos, uma vez que há dificuldades de vigilância genômica no País.
O início da vacinação adolescentes foi antecipado de 23 agosto para 18 de agosto. O governador atribuiu a antecipação das datas à compra estadual de 4 milhões de doses adicionais da Coronavac. “Já chegaram e já foram distribuídas (as vacinas). E, com a ajuda de prefeitos e prefeitas, estamos podendo antecipar a vacinação.”
O calendário estadual prevê a imunização da população de 28 a 29 anos de amanhã até 4 de agosto, enquanto o público de 25 a 27 anos terá sua vez entre 5 e 9 de agosto. Já quem tem de 18 a 24 anos poderá procurar os postos de dia 10 a 16.
Na sequência, a vacinação de 18 a 29 de agosto será focada no público de 12 a 17 anos com comorbidades, deficiências, gestantes e puérperas. De 30 de agosto a 5 de setembro, a campanha vai focar em todos os adolescentes de 15 a 17 anos, enquanto os de 12 a 14 anos receberão a primeira dose de 6 a 12 de setembro.
Até agora, o único imunizante que tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para essa faixa etária é o da Pfizer. A imunização de adolescentes também é vista como uma estratégia para tornar ainda mais segura a retomada das aulas presenciais.
Cerca de 748 mil pessoas, no Estado, não retornaram aos postos para tomar a segunda dose. O número, diz a coordenadora do Plano Estadual de Imunização, Regiane de Paula, é considerado baixo. Na cidade de São Paulo, 216 mil moradores estão com a segunda dose atrasada.
Ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um apelo aos brasileiros que estão com a segunda dose da vacina em atraso para que procurem os postos e completem a imunização. “Peço que busquem os postos de vacinação para tomar a segunda dose, pois sua imunização só estará completa após a conclusão do esquema vacinal”, afirmou, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV.
Estudos já mostraram que duas doses da vacina da Pfizer ou da AstraZeneca são eficazes contra a variante Delta, mas apenas uma dose do imunizante não é suficiente para proteger dessa nova cepa. A eficácia da Coronavac contra a Delta ainda está sendo avaliada. (Colaborou Anne Warth)