O temor fiscal, dadas as incertezas sobre a PEC dos precatórios, pressionou o Ibovespa na quarta-feira, 17, determinando que o principal índice da B3, a Bolsa brasileira, emendasse a terceira perda diária superior a 1% e encerrasse em baixa de 1,39%, aos 102.948,45 pontos, no menor nível desde 12 de novembro do ano passado, então aos 102.507,01 pontos.
Com a contribuição do recuo do petróleo e do mau humor em Nova York, o Ibovespa passou a terreno negativo no mês, acumulando perda de 0,53% em novembro e estendendo a série negativa iniciada em julho. No ano, a retração chega a 13,50%, com perda de 3,18% até aqui na semana, em duas sessões apenas.
“Até o fechamento do Orçamento, vamos continuar com essa aversão ao risco. O ano está acabando, não resolvemos nem a questão da PEC. Enquanto temos um imbróglio de informações sobre o tema já se fala em reajuste para os servidores. A indefinição fiscal é predominante e puxa até papéis que têm bons fundamentos. Vemos uma deterioração do cenário macroeconômico, com a pressão inflacionária e taxa de juros que penalizam o consumo e levam os investidores a vender”, avalia o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti.
Após oscilar pela manhã, influenciado pelo comportamento da moeda no exterior, o dólar à vista se firmou em alta e encerrou a sessão a R$ 5,5242, alta de 0,45%. A deterioração mais aguda veio após declarações do líder do governo e relator da PEC no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), dando conta de que o texto poderia sofrer alterações na Casa para angariar mais apoio, o que faria a proposta retornar à Câmara dos Deputados para nova votação. Isso atrasa uma definição para o Orçamento de 2022, o que aumenta a percepção de risco e abala a confiança dos investidores.