O ano é sem dúvida especial para Porto União. Em setembro, o mês é todo dela, mas o ano também é. Para festejar cem anos de história, é organizada uma grande festa. O aniversário vai deixar marcas para o próximo século. A prefeitura e uma Comissão de Artistas e autoridades em Educação e Cultura, preparam o nascimento de monumentos, de novas praças, de festas para se guardar no coração. Afinal, não é todo mundo que chega aos cem.
Mas, empatam nesta conta, a escola Balduíno Cardoso e o Colégio Santos Anjos. Os dois estabelecimentos estão em Porto União e geograficamente, ficam separados por apenas uma quadra. São diferentes, contudo, na formação: um, privado, hoje capacita meninos e meninas. O outro, público, é uma referência na formação em magistério. No Balduíno, o aniversário de um século é setembro, assim como a cidade que o abriga. No Santos Anjos, em abril, o que o deixa cinco meses mais velho que a própria cidade.
E que venham os cem, e o próximo século.
PORTO UNIÃO
Como povoado, a cidade começa em 1842, na descoberta do Vau, no Rio Iguaçu – lugar no rio de baixa profundidade que facilitou as passagens das tropas que vinham dos campos de Palmas. Esse lugar era também o ponto de embarque e desembarque para quem usava o Iguaçu como meio de transporte. Daí o primeiro nome: Porto da União.
A pequena vila cresceu em 1855 tem seu nome mudado para Porto União da Vitória. Em 1880 chega de Palmas para se estabelecer no comércio, com a compra e venda de sal, o Coronel Amazonas Marcondes. No ano seguinte tem início a navegação a vapor no Rio Iguaçu transportando passageiros e mercadorias.
Chegam neste período também os primeiros colonos de origem europeia, na maioria alemães. Mais tarde aportam outras etnias: poloneses, ucranianos, austríacos e russos. No início do século 20, chegam os libaneses. Acidade desenvolveu-se e em 1901, é criado o município de União da Vitória.
Em 1912 tem início os conflitos do Contestado que se prolongam até 1916. E em 5 de setembro de 1917 é criado o município de Porto União que a partir daí, passa a conviver, em todos os aspectos, com a parte da cidade que ficou do lado paranaense.
BALDUÍNO CARDOSO
A escola, por pouco, não faz aniversário exatamente junto com Porto União. A instituição é do dia 23 de setembro. Ela nasceu para atender a necessidade de ensino de uma cidade então recém-criada. “Com o surgimento do município, veio essa urgência”, conta a diretora do Balduíno, Alice Vogel. A escola, antes de estar lá no alto, próximo do Clube Aliança, já teve outros endereços. E, embora tivesse a educação regular como atrativo, ganhou muito mais visibilidade a partir da oferta do curso de Magistério. Até hoje, a capacitação atrai quem sonha ensinar.
Para brindar os cem anos, a equipe da direção prepara atividades para todos os meses letivos. A estreia foi agora, em março, com o lançamento na rede social de um documentário sobre a história da instituição. “Mas queremos muito mais. Vamos ter festa, exposição de fotografias, de material da escola. Teremos roda de chimarrão, café ou jantar, vamos trazer os ex-alunos, ex-diretores”, sorri, revelando um pouco da agenda, a diretora. “Quantas pessoas contribuíram para que tantas chegassem onde estão hoje”, completa.
A escola foi fundada durante o governo de Adolfo Konder. Na época, eram as Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso. A inauguração do educandário aconteceu no dia 28 de setembro de 1918, após ser construída uma casa para abrigá-lo. Mais tarde passou a funcionar em seu prédio próprio, construído de alvenaria, edifício onde funcionou por muito tempo o Fórum de Porto União (onde hoje se encontra o Grupo Escoteiro Iguaçu).
SANTOS ANJOS
No dia 7 de abril de 1917, quando o trem parou na Estação União, trouxe muito mais que passageiros e visitantes. Nele, estavam três jovens missionárias que traziam na bagagem a responsabilidade de construir uma escola na cidade (que estava em um momento de reestruturação pós-Guerra do Contestado), e no coração a missão de educar para vida. Foi assim que as irmãs Arnalda, Viatrix e Ambrosiana fundaram o Instituto de Educação Santos Anjos.
Inicialmente, o Colégio funcionou em uma modesta casa, mas, como em menos de dois meses já contava com 80 alunas. Os anos seguintes foram de investimento não só em qualificação educacional, mas também em estrutura física. Assim, o Colégio Santos Anjos nasceu, trazendo em sua essência o ‘educar para a vida’ e o fortalecimento de valores, vindos das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo.
Hoje, o Colégio Santos Anjos, com mais de 700 alunos, e quase 100 profissionais, conta com diversos projetos de educação, arte, cultura e incentivo, e ocupa um lugar de destaque na educação regional. “É um sonhar permanente, com melhorias educacionais e com o trabalho sério e constante para chegarmos onde estamos. E é por este motivo que estamos aqui festejando”, comemora Irmã Ilária.