Por Mariana Honesko

Eles não são notados. Ocultos embaixo de cimento e calçadas, os hidrantes ficam ali, esperando serem usados a partir de uma situação de emergência. De acordo com o mapa do Corpo de Bombeiros, baseado nos dados da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), as Cidades Irmãs “guardam” embaixo da terra 60 hidrantes: 39 em União da Vitória e outros 21 em Porto União. Todos funcionam bem, mas variam de acordo com a vazão de água. Assim, há mecanismo de maior e os de menor potência. Os mais “fracos”, também são úteis, porém, dispensados em urgências. “Dá para usar, mas em outras situações”, diz o subtenente da corporação, Albertino Mafra. O ideal, conforme o nível dos militares é de uma vazão superior aos dois mil litros de água por minuto.
O número de hidrantes nas duas cidades atende tanto os pedidos dos bombeiros – eles solicitam à Sanepar novas instalações – quanto à real necessidade da região. “Quanto mais populoso o bairro, por exemplo, ou quanto mais edificações ele têm, é interessante ter um hidrante a cada 150 metros. Já em lugares menos densos, é um hidrante para cada 300 metros”, enfatiza Mafra.
Diferente de algumas cidades, os hidrantes encontrados nas Cidades Irmãs ficam nas calçadas, visualizados por placas de ferro e, no caso de Porto União, indicados por uma placa que informa a localização da peça e a proibição do estacionamento ou paradas. O modelo é considerado antiquado. Em cidades maiores, o hidrante tipo “coluna” – aquele que fica sobre a calçada, geralmente na cor vermelha – é o mais popular. A exceção do modelo está no Corpo de Bombeiros: o hidrante de lá, usado para reabastecer os caminhões, é do modelo mais moderno. A troca não é tão simples: os hidrantes mais visíveis custam mais caro. “Usamos os hidrantes para combater incêndios e reabastecer nossos caminhões no caso de grandes ocorrências”, explica o subtenente.
Para não perder tempo, o chefe de operação dos atendimentos monitora o próximo hidrante a partir de uma relação completa, com o endereço de todos os 60 equipamentos disponíveis. O livro tem o endereço, condições de vazão e um pequeno mapa de sua posição na rua. “Já aconteceu até de trocarmos a escolha do hidrante por causa da vazão. Tinha um mais perto da ocorrência, mas fomos em um mais longe por conta disso”, destaca Mafra, justificando o potencial do material quase didático de referências. A água disponível em todos os hidrantes é potável.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) deixa bem claro como as áreas ocupadas pelos hidrantes precisam ser tratadas. Resolução de 1998 diz, por exemplo, que os “poços de visitas de galerias subterrâneas deverão ser sinalizadas através da pintura na cor amarela, com linhas de indicação, de estacionamento e parada”. Nem sempre, contudo, a resolução é seguida à risca. Segundo Mafra, já houve ocasião em que o acesso ao equipamento ficou prejudicado por causa da presença de veículos em área proibida. “A gente consegue alcançar porque as mangueiras dos caminhões são longas, mas dá mais trabalho, exige mais manobras”, lembra.
Em Porto União, para dar maior visibilidade à algo quase oculto, placas foram pintadas e colocadas em alguns dos principais endereços. “São placas indicativas, que dão mais segurança até para os bombeiros”, diz o diretor do setor de Trânsito, César Viganó. A medida tem sido apoiada: a placa diferencia os hidrantes de outras placas de ferro, usadas para identificar também o sistema de telefonia, água e esgoto.

Diferenciam-se dos hidrantes públicos os chamados de “recalque”. Estes, do contrário dos demais, têm dono. O equipamento usa parte da reserva das caixas de água particulares para apagar incêndios. O “recalque” indica uma ação contrária à da caixa de água. Ele funciona, pode ser usado por quem entende de combate ao fogo, mas também pode ser acessado pelos profissionais. Os hidrantes de recalque são comuns em edificações. “Aliás, é importante que os prédios tenham sua brigada de incêndio. O síndico tem que mostrar para um grupo como funciona o sistema. É interessante que alguém do prédio saiba como isso tudo funciona”, orienta Mafra.
Recentemente, os bombeiros precisaram usar o hidrante de recalque da empresa Pormade para combater um grande incêndio em uma empresa próxima de Cruz Machado. Trinta e cinco mil litros de água foram fornecidos pelo empreendimento. “A água do caminhão havia acabado e a gente precisou de mais. A empresa nos ajudou muito”, sorri o subtenente.
Jorrando muita água
União da Vitória
Apenas sete hidrantes são considerados bons, com alta vazão. Treze tem pressão regular e 19, baixa pressão.
Porto União
Nove hidrantes são considerados de alta vazão. Outros nove, de média pressão e três, de baixa

