*Por Roseli B. Klein*
A Senhora Porto União comemora seus 95 anos cheia de orgulho. Orgulha-se por sua beleza, população, localização e história.
Queremos parabenizar Porto União por sua História da Educação, pois juntamente com ela comemora aniversário a Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso, outrora Grupo Escolar, e o Colégio Santos Anjos, ambos fundados em 1917.
A estrutura física da Escola Professor Balduíno Cardoso já existia desde 1913. O Grupo Escolar com outra nomenclatura que pertencia ao Paraná, anterior à divisão dos estados, fora construído com arquitetura imponente fazendo juz ao momento republicano. O fato de haver um espaço arquitetônico relevante para abrigar um Grupo Escolar, na ocasião ainda denominado de Escolas Reunidas, na primeira década do século XX, estava ligado à importância econômica que apresentava a região.
Primeiramente por ser um grande pólo de imigração acolhendo várias etnias que a povoaram e ajudaram na economia do país extraindo a erva mate, a madeira, cultivando as terras com a agricultura familiar, explorando a navegação do Rio Iguaçu que proporcionou o intercâmbio econômico.
Em segundo lugar, porque a região possuía um importante entroncamento da estrada de ferro ligando São Paulo ao Sul do País, passando por Santa Catarina, aumentando o fluxo de pessoas e de produtos. E, ainda torna-se relevante registrar o fato de que por estas terras muitos tropeiros transportaram o gado em direção a São Paulo, deixando um pouco da sua cultura e criando vários vilarejos que se desenvolveram graças a estes viajantes.
Tudo isto foi ainda transpassado pela Guerra do Contestado (1912 – 1916) que dividiu a região em dois Estados. Este era o contexto macro no qual estava inserida a escola na Região do Vale do Iguaçu. No contexto micro, muitos elogios foram tecidos ao dedicado trabalho de professores, atores anônimos, que fizeram a História da Educação em Porto União.
Em 12 de dezembro de 1928 o Senhor Cid Gonzaga realiza uma visita ao Colégio Professor Balduíno Cardoso e escreve o seguinte registro: “Sr. Director Manoel Luz, ao assistir hoje ao encerramento do anno letivo, commetteria, como representante do povo catharinense e autoridade escolar, uma grave injustiça, se não deixasse neste livro, a minha formidável surpresa com os resultados que conseguistes neste grupo. Seguindo com interesse o desenvolvimento da instrucção em nossa terra, dou-vos, como homem público e como pae, os meus applausos francos, pela segura e sábia direção que imprimistes a esta colméa de ensino.
O Grupo Professor Balduíno Cardoso, sob a vossa orientação, prestigiou-se, e como prova de muito que tendes feito, ahi está esta esplêndida Exposição de Trabalhos, attestado inconcusso do approveitamento escolar. São também preciosos os esforços das vossas auxiliares a quem não regateio louvores.
Os trabalhos de cartographia dos complementaristas, causaram óptima impressão. Com affecto e admiração, firmo-me. Cid Gonzaga. Porto União, 12 de dezembro de 1928” (COLÉGIO BALDUÍNO CARDOSO, Livro de Ata de Visitas Escolares, 1928, p. 6).
Outra escola que também comemora seus 95 anos é o Colégio Santos Anjos, fundado em abril de 1917.
A princípio a instituição não passava de uma pequena casa de madeira de dois pavimentos, com instalações muito simples e improvisadas, cuidadosamente arrumada pelas senhoras da comunidade local e idealizada por Frei Rogério Neuhaus, franciscano perseverante e com ampla visão missionária. A pequena escola de madeira se transforma, e, em 1922 já ganhava o seu primeiro prédio em alvenaria.
Em 22 de fevereiro de 1929, pelo decreto 2257/29 foi criado o Curso Normal: “o Curso Normal daria ao Estado, à Pátria, novas e boas professoras. Desde então, a cada ano, professoras se formaram para se dedicarem ao difícil e nobre trabalho da educação e instrução do nosso povo” (COLÉGIO SANTOS ANJOS, [s/d], p. 3).
No momento republicano o sentimento nacionalista se fazia muito forte no interior das escolas e se tornava também parte da prática pedagógica da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. No ano de 1929, o Chefe Escolar do Município registrava em Livro de Atas do Colégio Santos Anjos, o seguinte relato:
“Exultou de júbilo a minh´alma de patriota ao ouvir as sonoras melodias do Hymno Nacional que de pé, com respeito, cantaram aquellas boccas e corações pequeninos. – São brasileiras todas estas crianças? – Sim! As que não nasceram no Brasil, amam já esta Pátria como a sua. A Fé Christã pelas mãos piedosas das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo estão moldando-lhes uma alma brasileira. É uma grande missão, servir a Deus e a Pátria!” (COLÉGIO SANTOS ANJOS, 1929, p. 2).
Recorrendo-se a trajetória desses dois importantes estabelecimentos de ensino, seguidos de outros, revela-se a história da cidade que também se inicia pela educação, destacando-se como um grande pólo educacional, na época, atraindo estudantes de toda a região, ou por assim dizer, de muitas localidades do sul do Brasil.
A escola presente no Município eleva o nível sócio cultural da população, cria indivíduos ordeiros e fornece lideranças importantes em todos os setores da sociedade. Parabéns à Senhora Porto União que fez esta opção proporcionando qualidade de vida a todos que dela fizeram e fazem parte. Obrigada Cidade Amiga, que há tanto tempo já me abriga!
Roseli B. Klein – Membro da ALVI (Academia de Letras do Vale do Iguaçu, cadeira no 38). Professora do Colegiado de Pedagogia da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória – FAFIUV.