Por Mariana Honesko

O recente caso que terminou com a prisão de um professor, acusado de pedofilia, ainda gera muita preocupação. Dessa vez, não são apenas os pais dos alunos, então matriculados na escola de dança onde o suspeito atuava, que estão preocupados. Muitos outros também tem dormido menos desde a prisão, na sexta-feira, do professor. Não é para menos: diante da quebra da confiança, os pais questionam os caminhos dos filhos e essencialmente, com quem se envolvem. As dúvidas, ainda que incômodas, são saudáveis. Para a psicóloga, Daniele Jasniewski, a prevenção sempre é bem vinda, especialmente quando os menores estão envolvidos. “Crianças com menos de 12 anos não tem a capacidade para entender bem o que é certo e errado. Tem crianças que são manipuladas, seduzidas e até ameaçadas”, explica.
Em casa, o diálogo precisa ser aberto e claro. O tom e a forma da conversa devem variar e, para crianças bem pequenas, precisa ser lúdica. “A conversa vai depender da idade da criança. Às vezes será preciso falar com a criança de uma maneira mais infantilizada, mas é importante falar e não dizer que sexo é assunto de gente grande, por exemplo”, observa Daniele. “Muitas vezes, os pais precisam falar com uma abordagem de vigilância”, lembra.
Para a psicóloga, vale ainda evitar que as crianças fiquem com estranhos ou sozinhos, perto, apenas, de vizinhos ou familiares de parentesco mais distante. Além disso, discutir o respeito com o corpo pode dar bons resultados. “O corpo é nosso templo”, sorri.
Mais do que evitar problemas aos pais, a prevenção garante abusos e problemas futuros. Traumas vividos na infância e juventude podem comprometer a integridade adulta. É provável que em algum momento, o sintoma da dor sentida no passado, seja novamente experimentado.

Conforme o promotor da Infância em União da Vitória, Júlio Ribeiro Campo Neto, a pedofilia, por si só, não é considerada crime. É, por outro lado, as consequências de seus atos. A legislação é clara e prevê punição e rótulo de crime para os casos de abuso sexual, estupro e divulgação de imagens comprometedoras de menores de idade, por exemplo. “No Estatuto da Criança e do Adolescente, há várias condutas de conotação sexual que levam à punição”, explica Campo Neto.
O documento, a partir do artigo 240, lista uma série de crimes sexuais que podem garantir aos suspeitos sua detenção. “A pedofilia é prevista no ECA, mas não como crime específico”, pontua o promotor. Para a psicologia, a pedofilia é uma doença e só considerada quando o comportamento ocorre há mais de seis meses, e a diferença entre o abusador e a vítima é maior que cinco anos.
19% dos presos em UVA são acusados de crime sexual
Levantamento feito pelo Ministério Público em União da Vitória aponta as marcas do crime. Em abril de 2011, dos 168 presos na comarca, 24 deles – portanto, 19% – foram acusados de envolvimento em crimes sexuais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o abuso sexual infantil é considerado um dos maiores problemas de saúde pública.
Pornografia infantil é crime cibernético com mais denúncias
De acordo com dados da Safernet, a pornografia infantil foi o tipo de crime na internet mais denunciado no ano passado. Das quase 245 mil denúncias anônimas recebidas pela organização, 32,84% dizem respeito a esse tipo de prática criminosa. Aparecem na lista, ainda, os crimes de racismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, homofobia, intolerância religiosa, xenofobia, neonazismo e tráfico de pessoas. Até 31 de dezembro, o balanço da Polícia Federal e da Safernet registrou 484 indiciamentos relacionados a pornografia infantil na internet.