Em meio ao conturbado período de eleições da nova diretoria da Associação Amigos do Trem (AAT), a Locomotiva 310, conhecida por Maria Fumaça, continua apodrecendo no pátio da Estação União. O presidente da associação, Marcelo Roveda afirmou que iria desistir da Ação pela posse da máquina no mês de março. Até o encerramento desta edição o acordo entre a AAT e a prefeitura não saiu do papel.
Um novo capítulo desta novela interminável é a eleição da nova diretoria da Associação Amigos do Trem. Roveda está brigando com uma chapa composta por ferroviários da velha guarda. O presidente diz que só está cumprindo o estatuto da entidade ao proibir quem deixou a Associação de participar das eleições. O representante dos ferroviários, Sr. Paes, disse que nunca saiu da Associação, somente pediu para não participar da diretoria. O litígio promete ir parar na justiça.
A atual diretoria é composta por treze pessoas: Marcelo Roveda (presidente), Juracemir Prestes (vice), Hermindo Francisco Roveda Neto (secretário), Geovane Luiz Salles Bunfante (diretor administrativo), Cláudio Roberto Hoppe (diretor financeiro), Ari Passos (diretor de relações públicas), além de três conselheiros fiscais e três suplentes. O vice-presidente da AAT, Juracemir Prestes, disse que a Associação não é aberta, portanto não possui sócios, somente voluntários. Quem quiser participar da associação tem de ser voluntário ou convidado pela diretoria. A prefeitura está em uma briga jurídica com uma associação sem sócios, representada de fato e de direito somente pela diretoria constituída. Roveda disse que não concorre à reeleição.
O assessor jurídico da prefeitura de União da Vitória, Martin Francisco Ribas disse que os termos do acordo para o encerramento da ação judicial foi redigido e enviado para o presidente da Associação, que prometeu dar uma resposta. Até a entrevista com o assessor jurídico, a associação estava “empurrando com a barriga” a resposta sobre os termos do acordo. “A questão é simples, se a associação não aceitar os termos deste documento, a ação judicial continua”, disse Ribas afirmando que espera que a questão seja resolvida até o mês de junho no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).
Prejuízos no setor de turismo
De acordo com o Codetur, os prejuízos com a Maria Fumaça parada são incalculáveis para o setor de turismo do município. A prefeitura e o Codetur entendem que é preciso profissionalizar o negócio da Maria Fumaça. A empresa Serra Verde Express, maior operadora de trens turísticos do Brasil, quer profissionalizar os passeios turísticos com a Maria Fumaça. Para o Secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Antonio Oscar Nhoatto, quando a prefeitura conseguir a posse da máquina, o Codetur pode retomar seus planos.
Com o trem a vapor de União da Vitória, são 11 máquinas em circulação no momento. Tem uma que faz a linha Bento Gonçalves – Carlos Barbosa (RS); em São João Del Rei a Tiradentes (MG), e outra de Mariana a Ouro Preto (também MG); Campinas a Jaguariúna (SP), Atibaia (SP), em São Lourenço (MG), Marcelino Ramos (RS) a Piratuba (SC), São Bento do Sul – Rio Negrinho (também SC). Em Gramado e Canela (RS) o que tem é um espaço de exposição chamado Mundo a Vapor, com máquinas estáticas, que mostra o funcionamento delas, mas não há passeio. Enquanto os ferroviários tentam se organizar, a prefeitura espera e a associação ganha tempo em uma disputa que pode estar chegando ao fim com uma decisão judicial eminente.