Não se trata de dor, tampouco de colocar qualquer agulha pelo corpo, aleatoriamente. Nada disso. A acupuntura vai muito além e consegue, quando colocada por profissionais e nos locais corretos, devolver a saúde e o equilíbrio. A terapia é milenar e tem origem na China. E se é bom até para pets (veja no quadro), imagine o que pode fazer em seres humanos. “A acupuntura é muito antiga que consististe na aplicação das agulhas em determinados pontos do corpo. São meridianos que ficam no corpo, como canais de energia. Eles estão ligados a estes canais, e não diretamente aos órgãos”, explica o fisioterapeuta e acupunturista que atua em União da Vitória, Ernani Santos.
Conforme ele, a técnica pode ser usada para o tratamento de uma série de doenças. Pode diminuir, por exemplo, a ansiedade, dores associadas ao reumatismo, ao controle da asma, dores de cabeça e até a incomoda TPM, no caso das mulheres.
A quantidade de agulhas que serão aplicadas no corpo vai depender do diagnóstico do paciente. “A gente avalia o que está em desequilíbrio naquele paciente e fecha um diagnóstico. A partir disso, vamos tratar o que é preciso: tem paciente que trata com quatro agulhas, outros com dez. Depende”, explica o profissional.
E não dói. A garantia é do acupunturista, que descreve a sensação de colocação da agulha – baseada no relato dos pacientes – como um “pequeno choque”. Embora a ideia de ter as agulhas em pé, fixas na pele, possa não soar bem, a garantia é de que a técnica é praticamente indolor, no máximo, desconfortável. A agulha é fina, bem mais que uma agulha de costura, por exemplo. “É uma agulha específica, com um metal específico para isso.”
No Vale do Iguaçu, segundo ele, a busca pela técnica acontece apenas quando os outros tratamentos não deram certo. Para Santos, ainda que a técnica seja bem antiga, falta divulgação da terapia. Os resultados poderiam propagar a boa nova: conforme o especialista, de dez pacientes atendidos, oito tem bons resultados. Para Santos o desfio da técnica é justamente quebrar paradigmas e tornar a acupuntura mais popular. “Ainda tem muitas coisas empíricas sobre a técnica. Tem gente que acha que está ligado à religião. E não é assim. É um tratamento alternativo. O desafio é esse: desmistificar e divulgar mais”, sinaliza.
Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há crescente número de profissionais capacitados e habilitados e maior valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte dessas práticas
Práticas alternativas na saúde pública
Como anunciou recentemente o Ministério da Saúde, agora, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) serão beneficiados com dez novas Práticas Integrativas e Complementares (PICS). Os tratamentos utilizam recursos terapêuticos, baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir diversas doenças, como depressão e hipertensão. São elas: apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais. Com as novas atividades, ao todo, o SUS passa a ofertar 29 procedimentos à população.
Em 2006, quando foi criada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) eram ofertados apenas cinco procedimentos. Após 10 anos, em 2017, foram incorporadas 14 atividades, chegando as 19 práticas disponíveis atualmente à população: ayurveda, homeopatia, medicina tradicional chinesa, medicina antroposófica, plantas medicinais/fitoterapia, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa, termalismo social/crenoterapia e yoga.
As terapias estão presentes em 9.350 estabelecimentos em 3.173 municípios, sendo que 88% são oferecidas na Atenção Básica. Em 2017, foram registrados 1,4 milhão de atendimentos individuais em práticas integrativas e complementares. Somando as atividades coletivas, a estimativa é que cerca de 5 milhões de pessoas por ano participem dessas práticas no SUS.
Atualmente, a acupuntura é a mais difundida com 707 mil atendimentos e 277 mil consultas individuais. Em segundo lugar, estão as práticas de Medicina Tradicional Chinesa com 151 mil sessões, como taichi-chuan e liangong. Em seguida aparece a auriculoterapia com 142 mil procedimentos. Também foram registradas 35 mil sessões de yoga, 23 mil de dança circular/biodança e 23 mil de terapia comunitária;
Acupuntura em animais
Você leu recentemente em O Comércio, o posicionamento do veterinário Maurício Bostelmam sobre o uso da técnica em animais. Conforme o profissional, os bichinhos também podem ser beneficiados com a técnica. Na verdade, por serem irracionais, conseguem ter até resultados melhores, já que aceitam a picadinha sem reclamar ou realmente compreender o que está ocorrendo. O método acaba tendo grande efeito.