Por Mariana Honesko

O anúncio de que não faria o Seguro Desemprego neste mês parece ser apenas a ponta do iceberg. Na prática, os problemas da Agência do Trabalhador de União da Vitória são mais profundos, frutos de uma série de eventos.
Eles teriam começado já há cerca de um ano, quando o chefe da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social (Setep), Jean Cappellari, deixou o cargo. De lá para cá, o órgão segue “descoberto”. O efeito da falta de um superior acabou afetando a direção da agência. O atendimento ao público ficou ainda mais comprometido a partir da saída de Tábata Bolsoni, chefe do setor e que usufrui de licença-maternidade. Para dar sequência ao trabalho, o funcionário da prefeitura Osni Nunes, e outras três servidoras, foram cedidas. “O grande problema é o momento em que isso ocorreu. Entramos aqui sem saber o funcionamento de nada”, revela.
Conforme ele, a equipe não foi preparada para entender e operacionalizar o sistema. Todos são interligados com o Governo Federal e basta um único erro para que o processo “trave”. “E é prejuízo para o trabalhador, que depende do dinheiro”, lembra Nunes. A referência é, de novo, ao benefício concedido aos desempregados. De acordo com Nunes, o preenchimento das planilhas demanda tempo e conhecimento. Em alguns casos, a liberação do processo só ocorre por meio do Ministério do Trabalho (TEM). “Temos sorte que temos o TEM aqui do lado. Mas se o trabalhador é de General Carneiro, por exemplo, terá que vir aqui. Se for de São Mateus, também precisa vir à União ou só em Ponta Grossa”, explica Cappellari que ontem visitou a agência em uma iniciativa de apoio ao momento pouco favorável do órgão. Em abril, a equipe participou de capacitação em Curitiba. “Era no feriado do dia 21 mas o treinamento era do módulo quatro. Precisamos do primeiro”, conta Nunes.
Por enquanto, não há nenhuma garantia de mudanças mas a aposta é de que a partir de junho o cenário seja diferente. Nunes assumiu a chefia da agência há cerca de um mês. Sua função, contudo, é questionável. Segundo ele, sua posição como chefe não é oficial. Recluso às funções, contudo, dá sinais de preocupação com o efeito na comunidade. “A população perde com isso”, diz. Em média, a agência de União recebia até 30 trabalhadores todos os dias em busca do seguro. A procura por emprego, no entanto, motiva de maneira maciça a procura pelo órgão.
A Agência do Trabalhador tem gestão dupla: é estadual mas conta com contrapartida do município.

Sine e Agência do Trabalhador não abrem hoje
Por conta da instalação de uma nova versão no programa que libera o seguro-desemprego, o Sine de Porto União, bem como a Agência em União, não terão expediente hoje. O Portal Mais Emprego, conforme a direção da regional, estará indisponível. O atendimento normal ocorre apenas na segunda-feira, 2 de junho.
Sine recebe beneficiários da região de União da Vitória
A falta de atendimento no lado paranaense tem “respingado” no posto do Sine, em Porto União. Conforme a equipe, desde novembro o setor está engessado diante do movimento que já é dobrado. Neste mês, especialmente, o posto precisou implantar o sistema de senhas para atender os desempregados de União da Vitória e dos nove municípios então assistidos pela agência. Com apenas três funcionários e um sistema um tanto lento, as senhas são insuficientes.