Por Mariana Honesko

Os olhos claros e brilhantes de Terezinha Hermann escondem as alfinetas que a vida já lhe deu. Com um rosto alegre, a artesã confessa a idade, mas prefere nem lembrá-la. “Na verdade, não me importo com a idade”, sorri. Suas peças, bem arrematadas e clássicas, combinam com seu perfil elegante. Terezinha é uma das poucas artesãs que nas cidades irmãs ainda trabalha com a “Frivolité”, uma técnica que transforma fios de crochê em rendas. “Ela pode ser aplicada em toalhas, lençóis, fronhas”, explica. A aplicação garante valor à peça que, do uso cotidiano, transforma-se em um delicado presente.
Comparado com outras técnicas, o frivolité tem apenas na matéria-prima a semelhança. Ele dispensa agulhas na produção, antes, depende do navete, para fazer a renda. A peça é pequena, de grande resistência e justamente por não ser procurado, é comercializado em exclusivas casas comerciais do ramo. Terezinha já conhecia a produção, mas foi apenas depois de receber o desafio como missão, que decidiu “ressuscitar” o trabalho. “Eu adoro desafios”, afirma. Em pouco tempo, tudo o que aprendeu desde bem jovem voltou à lembrança e logo, para seus dedos. “Eu sempre fiz artesanato, sempre gostei”, conta. “É mais fácil perguntar o que eu não sei fazer”, orgulha-se.
Terezinha aprendeu boa parte do que sabe sozinha. Mais jovem, morava com a mãe em uma colônia rural, no município de Porto Vitória. Depois do trabalho na lavoura, encontrava nos tecidos, rendas e agulhas, seu passatempo. Foi no campo também, que começou a vender suas primeiras colchas rendadas. Na época, aprender novas técnicas era um teste para a força de vontade. “Não havia copiadoras, internet. Nada. Um dia eu encontrei uma revista que tinha alguns modelos e eu copiei tudo à mão num livro de receitas. Tenho isso até hoje guardado”, conta, com orgulho.
Depois da morte da mãe – Terezinha já havia perdido o pai quando criança – ela aventurou-se pelo País. Trabalhou em grandes centros, voltou para sua terra natal e encontrou em União da Vitória seu lugar ideal. Terezinha não se casou, enfrenta sozinha as limitações de um câncer. Só, encara feliz os dias coloridos e aqueles quase monocromáticos. O artesanato, mais do que uma ajuda financeira, lhe trouxe paz e uma mente ocupada. “É uma terapia, é muito bom”, sorri.
Conheça mais a arte

A frivolité é uma arte que começou na Europa e que se tornou popular a partir do século 18. É uma técnica de renda, que consiste em uma sequência de nós que formam círculos ou semicírculos. Ele pode ser aplicado, inclusive, em jóias e acessórios. Para os especialistas, a frivolité é uma arte delicada, que valoriza as peças e resgata o artesanato.
Onde encontrar
Terezinha trabalha com encomendas, mas também tem peças prontas, disponíveis na Arte do Porto, no térreo da Fundação Cultural de Porto União.