Por Mariana Honesko

O jeito de menina esconde uma artesã cheia de habilidades. Patrícia Aparecida Bay é de Irineópolis, mas há alguns anos escolheu União da Vitória para ser sua casa. No bairro Rocio, no apartamento que cheira à novo, a jovem, de 25 anos, dedica-se à arte que aprendeu sozinha, sem professores, cursos ou qualquer capacitação. Foi pela internet que ela conheceu as técnicas e a motivação para os primeiros cliques surgiram assim, como ela diz, “do nada”. “Vi na internet, gostei e comecei a fazer”, sorri.
Simples assim. Dos primeiros chaveiros, feitos apenas como teste, Patrícia evoluiu para trabalhadores maiores. Hoje, a produção de almofadas, lembrancinhas de nascimento e aniversário, prendedores de cortina e guirlandas ocupam quase todas suas tardes e noites. Dá trabalho mas Patrícia não esboça cansaço. “Gosto de fazer e me dá lucro”, diz, com franqueza.
A jovem, formada em Letras mas ainda sem estrear oficialmente como professora, sobrevive da venda de artesanato. Patrícia não tem cartão de visita ou loja: toda a produção, divulgação e venda ocorrem da sala, pela rede social. “E tem dado certo. Tenho encomendas até julho. Tem tanta procura que atualizo as fotos apenas a cada três semanas. Se não, não dou conta”, explica.
Seus clientes são fieis mas exigentes. Conforme a artesã, basta uma novidade aparecer para que os pedidos surjam, aos montes. “Eles pedem e eu vou tentando fazer”, conta. Nem sempre dá certo. Patrícia já precisou recuar de alguns pedidos. Mesmo assim, não perdeu sua clientela. Quem conhece o trabalho não tem medo de testar a competência da jovem. “Tenho trabalhos até nos Estados Unidos”, conta, orgulhosa.

Produção em série
Patrícia se mantém ligada nas tendências e tenta entender as preferências. Seu trabalho é focado em meninas, donas de vontades e mimos mais coloridos. São mães, filhas e avós que se debruçam sobre as criações da professora. E basta olhar para o pequeno estoque da artesã para perceber o que faz a cabeça feminina. “Sem dúvida são as corujas”, sorri.
Rosas, vermelhas, com asas coloridas. As corujas estão presentes em muitas das produções e fazem bonito mesmo sozinhas, nas versões para almofadas ou lembranças de aniversário. “E eu adoro. Acho lindas”, confessa. Todas as peças feitas por Patrícia são de feltro, “recheadas” com microfibra – similar à espuma – decoradas com laços. Com exceção do contorno das guirlandas, que exige o uso da máquina, todas as outras conexões são feitas à mão.
No sangue
Mesmo sem ter feito curso para aprender mais sobre as técnicas de artesanato, Patrícia tem na genética uma ligação mais profunda com o trabalho manual. Sua mãe, grande apoiadora de suas artes, foi costureira. “Hoje ela não costura mais”, lembra a jovem. Em casa, a artesã arrisca-se no campo bem explorado pela mãe. A cortina da sala foi feita por ela e a costura alinhada garante a beleza da decoração.

Para ver e comprar
O Facebook de Patrícia exibe fotos dos trabalhos prontos e quem “contrata” seus serviços recebe o passo a passo “in box”. Na rede social, basta procurar pelo nome da artesã ou, para mais informações, ligar para 8809-6095. Os preços são acessíveis.