Tenho a impressão que o Brasil ás vezes retrocede. Evolui, empaca e retrocede de novo, sejam quais forem os motivos, o caminho se faz pra frente, reto e firme, as mudanças devem ser positivas e que possibilitem melhorias e desencadeiem boas novas, á mim, á você, e a quem está nas ruas, em busca disso, daquilo, e dos banalizados vinte centavos. Antes fossem apenas vinte centavos.
Os dias não estão iguais e o povo não dormia enquanto acontecia a escravidão, as guerras, a fome, e toda a desumanização do planeta, mas não conseguiam ter voz, e ecoavam nas casas, gritos abafados do que não se podia dizer, os sussurros se tornavam largos e vazios pelo medo, e as palavras eram presas nas gargantas e vomitadas no chuveiro.
Já foi o tempo em que liberdade de expressão, foi ridicularizada e colocada em vidro escuro, hoje as pessoas tem o direito de ir e vir, mesmo que seja nos ônibus amarrotados e superlotados e com péssima qualidade.
Bombas de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha, spray de pimenta, não deveriam ser dados á mão de quem não sabe usar, como o coração da gente não deve ser dado a quem não vai cuidar. Sou a favor das manifestações e contra as depredações. Mas o bom senso ás vezes não funciona, dá curto circuito, somos humanos, e nem sempre racionais. Ainda mais com um tiro no olho como levou uma repórter, ou a professora que foi presa por ter tanta voz, que gerou desconforto. Tenha dó.
Flores e abraços distribuídos em troca de pancadaria, mesmo com gritos que ecoavam os quarteirões da cidade: SEM VIOLÊNCIA!
Quem cuidará de nós? Espero que seja o homem lá de cima.
O mundo está com cara de Brasil, estão juntos, com os pensamentos engatados na corrente das mudanças, e que um dia virão. Hoje ou amanhã.
Por menores que forem os motivos, sempre se pode lutar pelo que é certo e justo, a minoria reivindica e traz o mundo pra dentro, e o Brasil pra fora das casas. Tanta força junta faz tremer na corda, os que estão deixando a desejar.
As pessoas saíram do conforto e estão na busca incessante de algo bom e melhor, talvez não fosse esse um grande motivo pra algo dessa proporção (como dizem por aí) mas foi o que abriu os olhos dos brasileiros. E estou sentindo um orgulho enorme aqui do lado de dentro.
Por dias mais tranquilos, campanhas mais honestas, pessoas mais humanas, policiais treinados, e mais flores, eu reivindico por: amor ao próximo!
Zero vírgula vinte não é nada, comparado a um mundo melhor.
Vanderlei Woytowicz é estudante de psicologia