Árvores: Vilãs do abastecimento e da segurança

Árvores de grande porte atrapalham, dão despesa para as companhias de energia e ameaçam imóveis. Limpeza e poda podem ajudar

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Árvores de grande porte atrapalham, dão despesa para as companhias de energia e ameaçam imóveis (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

As causas para o “apagão” que deixou as Cidades Irmãs no escuro no dia 26 de janeiro já foram identificadas. Conforme apurou a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a queda de eucaliptos no caminho de uma rede de transmissão e abastecimento, teria sido o motivo pelas dez horas sem luz.

O caso que teve grande repercussão e tornou-se um dos maiores registros do gênero na região, não é isolado. Outros picos de energia e uma infinidade de apagões pelo Brasil são frutos, em sua maioria, do contato entre a estrutura energizada com galhos ou árvores inteiras. A combinação de tempo chuvoso e ventos aumenta os riscos e as despesas.

De acordo com a Copel, as árvores são vilãs do abastecimento e do bolso. Os danos nas linhas causam prejuízos e dão despesa. “O índice maior de desligamentos é por conta das arvores que encostam nas nossas linhas. É um grande problema”, confirma  o técnico florestal da Copel, Olívar Helt. A cena é comum, inclusive na região, que, conforme as normas da Copel, permitem uma abertura de faixas de até 15 metros entre as linhas e as árvores. “Mesmo em dias de vento forte, por exemplo, isso ocorre. Por isso que a Copel investe muito em roçadas e podas”, pontua. “Temos preocupação em manter as linhas limpas, apesar de termos centenas de quilômetros para cuidar”, completa

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Paulo Almeida (Mariana Honesko/Jornal O Comércio)

A retirada das árvores que estão próximas das linhas de transmissão é variável e depende de algumas condições. Quando elas estão em uma área particular, a Companhia de Abastecimento precisa “negociar” uma possível indenização ao proprietário. Já quando a vegetação ocupa áreas públicas, a negociação é com os órgãos ambientais. No Paraná, o IAP assina as autorizações para corte ou poda de árvores nativas. Com as exóticas, como o eucalipto ou pinnus, o trâmite é mais simples. “Não há necessidade de autorização ambiental. Nem a Copel ou o proprietário, precisa vir até o IAP. Espécie exótica pode ser limpa”, ressalta o chefe do escritório local do órgão, Paulo Almeida.

Na região, conforme Almeida, os problemas de “pisca-pisca” na energia poderiam ser menores caso houvesse mais colaboração dos agricultores, especialmente daqueles que tem propriedade rural próxima das redes de transmissão. “Eles perdem a noção do tamanho das plantas e que com o tempo, aquela muda de 20 centímetros, vai crescer muito. Cabe à Copel orientar para que estas espécies sejam eliminadas para evitar problemas, como o apagão que tivemos”, diz.

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Terezinha Wolff lamentou a retirada do pinheiro: “estávamos correndo risco” (Wannessa Stenzel/Jornal O Comércio)

Foi uma árvore de grande porte que tirou o sossego da diretora da Casa Cultural Aníbal Khury, o Castelinho. Na quarta-feira, 12, o Corpo de Bombeiros precisou retirar um pinheiro. A medida garante segurança ao imóvel, uma edificação tombada pelo patrimônio catarinense. “Estávamos correndo risco. Um dia desses, com a ventania que deu, uma das torres caiu justamente por causa da batida de um galho de um pinheiro. Por sorte, não bateu em um carro que passava por lá”, explica a diretora, Terezinha Wolff.

Para ela, mesmo com o sentimento de perda ao ver a retirada da espécie, é necessário que haja consciência sobre o que se planta. “Estamos sofrendo uma tempestade em cima da outra e precisamos que seja reconhecido esse trabalho.”

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No apagão do dia 26 de janeiro, galhos de eucalipto caíram em alguns pontos das linhas de transmissão (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

 

Nem tudo são flores

De acordo com o técnico florestal da Copel, algumas regiões do Paraná não são tão liberais para o corte ou podas de árvores. É o caso dos municípios de Mandirituba e Quitandinha. Por lá, a Companhia garante que tem sérias dificuldades para negociar a derrubada de alguns exemplares. As cidades reúnem ambientalistas que fazem “barulho” em prol da planta. Ocorre que para a Copel, a derrubada não é vantagem: cada planta tem seu preço e em grande quantidade, aumenta a despesa da Copel.

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