Bebê encontrada no lixo é adotada

‘Maria Vitória’ passa pelo processo de adoção. Neném foi encontrado por um funcionário da empresa de coleta de lixo, em Porto União

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Atualizado há 7 anos

Local onde a bebê foi encontrada (Foto: Arquivo/JOC).
Bebê foi encontrado em uma lixeira, no bairro Vice King (Fotos: Jaqueline Castaldon).

Um final feliz marca a história de Maria Vitória, a bebê que no dia 5, foi resgatada de uma lixeira, no bairro Vice King, em Porto União. Há poucos dias, depois de ficar hospitalizada para o acompanhamento da saúde, a menina recebeu uma nova família. Ela conheceu seu pai e sua mãe, que na lista de espera da adoção, esperavam exatamente por ela. “A criança foi atendida, levada ao hospital, passou pelos exames e atendimento e aí, na alta, já tínhamos pessoas preparadas para adotar e o processo foi iniciado”, explica o juiz da infância e juventude, Osvaldo Alves do Amaral.

Maria Vitória, nome que recebeu de um batismo simbólico no hospital São Braz, onde ficou por cerca de dez dias, deve ir para a nova casa nos próximos dias. Amaral, pela questão ética e de segurança, não informa a localização da nova casa da criança. Mas, diante de toda a formalidade que o processo exige, a expectativa é de que Maria Vitória viva dias tranquilos, cheios de amor.

Filhos do coração

O magistrado deixa claro que a adoção se faz de maneira legal, no Fórum, e não em igrejas, prefeituras, rede social. É preciso formalizar o interesse no gesto, bem como estar apto para isso. “Quem tem interesse na adoção, precisa procurar o serviço social do Fórum. A preparação começa aí. Adoção é feita no Fórum. A família vai apresentar documentos, fará um cursinho para entender o que é a adoção e quem estiver apto, será colocado na fia de adoção”, pontua.

Amaral: processo de adoção é feito no Fórum
Amaral: processo de adoção é feito no Fórum

A família adotante pode “selecionar” o perfil de seu filho. Há quem não aceite grupos de irmão, crianças maiores ou com doenças, por exemplo. A partir do momento em que uma criança é colocada à disposição da adoção, a equipe do Fórum procura as famílias da lista, habilitada para o processo, e que se encaixa no perfil. “O adotante recebe a criança em situação de guarda por um tempo, onde acompanhados a família por um certo tempo e se tudo der certo, torna-se definitiva a adoção. Ai, a criança ou o adolescente, se torna filho sem qualquer distinção, como se fosse filho biológico mesmo”, explica o juiz.

“É infinitamente melhor que alguém que alguém procure o Fórum e entregue a criança do que simplesmente abondar”

Quem não tem interesse em ser pai ou mãe e deseja fazer a entrega da criança, também pode procurar o Fórum para legalizar o processo, considerado igualmente como um ato de amor. Organizado e com afeto, a medida evita que outras Marias Vitórias sejam deixadas em lixeiras, por exemplo. “As pessoas vêm aqui e dizem antes ou no dia que a criança nasce que não tem condições de criar a criança. Vamos receber com carinho a criança, acolher e ver quem pode adotar. Isso facilita o processo, a gente obtém algumas informações da criança, do pai ou da mãe, para passar para um adotante. É diferente de quem abandona. Isso é uma situação de crime”, diz. “É infinitamente melhor que alguém procure o Fórum e entregue a criança do que simplesmente abondar”.

Relembre o caso

Eram pouco antes das oito horas da manhã do dia 5, quando o funcionário da empresa Ecovale, Walmir da Cruz, 20, percebeu que tinha algo diferente naquele caixote para lixo, instalado modestamente na frente de uma das casas da Rua da Alegria, no bairro Vice King, em Porto União. Achou que era um filhote de cachorro, talvez machucado. Mas não era. Assustado, foi desdobrando os cobertores finos que enrolavam aquele pequeno corpo. Era um bebê. Uma menina, respirando calma, ainda com o cordão umbilical na barriguinha.

“Eu tinha começado a trabalhar às 7 horas. Encontrei ela umas 7h30. Eu estava vindo e quando cheguei naquele caixote, pensei que era um cachorro. Levantei, se mexeu e era uma criança. Me amoleceu tudo na hora. Peguei no colo com jeito para não machucar e uma vizinha do lado viu. Eu disse que era um neném e ela ajudou”, contou, emocionado.

Enfrentando as primeiras horas geladas do dia, o abandono, as precárias condições e o lixo, a menina sobreviveu. Foi o milagre da Rua Alegria. Um logradouro com esse nome, só poderia ter uma história com final feliz. Até o momento, apesar do começo um tanto torto, a narrativa é doce.

Maria Vitória nasceu com 3.350 quilos e 47 centímetros. A equipe de saúde acredita que o encontro dela aconteceu cerca de uma hora após o nascimento.

O Dia Nacional da Adoção é celebrado em 25 de maio

Com quatro meses, trigêmeos passam bem

Agora, é fácil reconhecer quem é quem. Embora gêmeos, os bebês são diferentes uns dos outros, mas, igualmente rechonchudos e expressivos. Sorriem com facilidade, mexem as mãozinhas e exigem atenção da mamãe Eliane Hoinacki, 40, que deu à luz no dia 22 de abril, a um trio prematuro. “Na verdade, está tranquilo porque eles estão crescendo, a gente vai aprendendo mais. É uma experiência única”, sorri a mãe que além deles, tem outros quatro filhos, todos homens.

Trigêmeos passam bem e com quatro meses, crescem e sorriem
Trigêmeos passam bem e com quatro meses, crescem e sorriem

Rafael, Gabriel e Maria Luiza são os xodós da casa. Estão sendo acompanhados pelo pediatra e pela raridade do caso, recebem um carinho especial da equipe da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI). “Vai uma latinha de leite por dia, perdi as contas nas mamadeiras e no mês, creio que vai umas 700 fraldas por mês”, sorri. “Para mim não tem horário. Não almoço exatamente ao meio-dia, mas aqui por perto, como banana, maçã. Fico igual um periquito”, brinca.

Essa grande família está de endereço novo e na casa ampla, um sobrado, vivem bem, especialmente por conta do amparo que a comunidade dá. “Quando eles nasceram, recebemos muita coisa, mas agora, chegou na fase que me assustei porque eles cresceram demais. Esticaram muito. Eles já usam M e G. Me organizei para ajudar, mas não tem tanto como no começo”, conta Eliane. Estão sobrando fraldas tamanho P e faltando as de tamanho maior. Então, toda ajuda nesse sentimento, é bem-vinda (leia mais no quadro).

O nascimento de trigêmeos não é algo que se vê todos os dias, nem mesmo na APMI, onde os trigêmeos de Eliane vieram ao mundo. O hospital, que atende à região, havia registrado o último caso de trigêmeos em 2017, quando uma mãe biturunense, deu à luz. O trio de Eliane é o primeiro deste ano, algo que chamou a atenção até mesmo dos profissionais que trabalham na unidade.

A obstetra Marta Damico Fam foi a médica dos bebês de Bituruna (PR) e dos filhos de Eliane. Para a profissional, que já tem uma carreira de 35 anos, o parto é apenas uma cena de toda a história: o acompanhamento da gravidez, o “fazer chegar até o fim”, é a grande vitória. De acordo com o também obstetra, Ary Carneiro Junior, dentro da condição natural, o percentual de chances para o nascimento de gêmeos ou mais é de 1 a 2% de casos. “Eles aumentam a probabilidade caso a família da gestante tenha histórico. Os índices podem chegar até 15%. Tem fatores que aumentam o potencial: o implante de embrião, a inseminação, por exemplo”, explicou. Mulheres com mais de 30 anos, conforme o profissional, tem mais chance de ter este tipo de gestação. Isso acontece por conta das alterações dos níveis hormonais. “É evidente que tem os casos de gravidez de quatro, cinco, seis bebês, mas é algo muito raro”.

DOAÇÕES PARA OS TRI

Quem tiver interesse na doação de roupinhas e fraldas, pode fazer isso diretamente no hospital APMI. Na unidade, é interessante pedir pela Nívea, que vem dando suporte à família.

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