BENTO MUNHOZ: Velocidade é alta demais

Em uma das principais avenidas de União da Vitória, motoristas pisam fundo no acelerador. Moradores temem segurança ao conviver com o medo

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

Só a placa: passarela para pedestres deve ser colocada nos próximos dias
Só a placa: passarela para pedestres deve ser colocada nos próximos dias

A avenida Bento Munhoz da Rocha Neto é uma das mais extensas e principais vias de União da Vitória. É também o ponto de entrada – ou saída – da cidade e de acesso às rodovias, BR-153 e SC-280. A Bento é passagem obrigatória de todo o trânsito pesado: é nela que caminhões acima das 23 toneladas precisam trafegar. A avenida também participa como marco divisório. Exatamente nela, o centro e os bairros Ponte Nova, São Bernardo, São Basílio e parte do Rocio, dividem-se.

Mas, nos bastidores de uma via de importância considerável, ocultam-se problemas sérios. Alguns tiram o sossego de quem trabalha e mora em suas margens. A velocidade alta lidera o ranking das queixas. Asfaltada há alguns anos, a Bento Munhoz tornou-se ideal para quem gosta de pisar fundo no pedal do acelerador. Os abusos, comuns durante o dia, ficam maiores no final de semana. “O povo acelera muito. Nos dias de semana o fluxo já é grande. Tem caminhão, ônibus de linha. Mas no final de semana, especialmente a partir da sexta-feira, fica muito pior. O pessoal faz corrida”, conta a dona-de-casa Leni dos Santos Weiller, moradora há 35 anos da Bento.

Muro da casa de Erzila foi danificado três vezes por veículos em velocidade alta
Muro da casa de Erzila foi danificado três vezes por veículos em velocidade alta

Sua vizinha, a aposentada Erzila Luíza Empinotti Cusin, entende bem a reclamação de Leni. O muro de sua casa, um imóvel de esquina, foi destruído por três vezes em acidentes automobilísticos. O mais recente, inclusive, inviabilizou a pintura de uma das laterais. “Por isso a gente já colocou estes tubos, para evitar que batam no muro”, conta, referindo-se à contenção caseira, feita de cimento e pedra. “Tenho medo, mas já estamos aqui há mais de 30 anos. Naquele tempo, era tudo bem diferente. Não tinha esse movimento todo”, completa.

Mapa

A avenida Bento Munhoz começa logo após a ponte Domício Scaramella e só termina próximo do Centro Universitário da Cidade de União da Vitória (Uniuv). Ao longo de toda a pista, uma sequência de estabelecimentos comerciais, residências e supermercados dividem espaço. Mas, os avisos que limitam a velocidade empregada pelos veículos são escassos. Conforme o Departamento de Trânsito do município, não há, de fato, nenhuma placa que indique a velocidade permitida. “Mas ela é de 60 quilômetros por hora”, lembra o diretor do setor, Márcio Roiek. “Mas tem carros que passam ali muito mais rápido que isso”, completa.

Alcançar uma velocidade bem acima do que a via permite não é tão difícil. Alguns trechos da Bento, especialmente os que ficam depois do CTG Fronteira da Amizade, são livres de redutores de velocidade. Ali, há apenas duas lombadas em frente à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Depois, as mais próximas aparecem apenas na empresa Pormade. “Mesmo assim, os motoristas não têm bom senso e aceleram mesmo”, avalia Roiek. Ainda, em toda a extensão da via, há apenas um semáforo. Ele fica no cruzamento com outra grande avenida, a Manoel Ribas.

Leni dos Santos gosta de morar às margens da Bento mas tem saudade do tempo em que o movimento era menor
Leni dos Santos gosta de morar às margens da Bento mas tem saudade do tempo em que o movimento era menor

No bairro Ponte Nova a preocupação com os excessos mobilizou a comunidade. Há alguns meses, uma ação popular garantiu a promessa da prefeitura da colocação de uma faixa elevada para pedestres. A placa que sinaliza o mecanismo foi colocada há 15 dias. A faixa, contudo, ainda é ausente. “Colocamos antes para que as pessoas já se acostumem com a redução”, justifica o diretor de Trânsito. No local, uma pequena rotatória será colocada.

A medida agrada a direção da Escola Municipal Vitória Fernandes. Segundo a instituição, cerca de 80% dos alunos são moradores do Ponte Nova e utilizam o trecho para chegar em casa ou à escola. “E a maioria dos alunos, especialmente os do terceiro ao quinto ano, vem sozinho para a escola”, lembra a diretora Muriel Cristina de Paula. Para ela, a faixa elevada, somada à velocidade menor dos veículos, daria mais tranquilidade para a equipe escolar e para os pais. O estabelecimento de ensino tem 150 alunos que, além do trecho que vai receber a faixa elevada, usam com frequência outras duas quadras laterais à Bento Munhoz.

Para a Polícia Militar (PM) as condições da Bento Munhoz induzem à velocidade mais alta. O comportamento, contudo, não é justificável. “Os motoristas precisam trafegar com velocidade compatível com o local e dentro dos princípios da direção defensiva”, afirma o subcomandante da PM de União da Vitória, capitão Irineu Antoszczyszyn. Mesmo sem acesso às estatísticas, o capitão aposta na velocidade alta como a vilã do bom funcionamento da avenida. “Ela foi criada para que o trânsito seja desviado do anel central. É uma pista boa, tem condições para andar, mas é preciso ter cautela”, diz.

Alguns trechos tem poucas lombadas e “convidam” para caminhos mais rápidos
Alguns trechos tem poucas lombadas e “convidam” para caminhos mais rápidos

Será avisado

Conforme o departamento de Trânsito, a colocação da faixa elevada para pedestres próximo ao bairro Ponte Nova acompanha a instalação de placas, ao longo de toda a via, que alertam os limites de velocidade.

Quem foi Bento Munhoz?

Natural de Paranaguá (PR), Bento Munhoz foi governador do Paraná entre 1951 e 1955. Foi engenheiro, professor, escritor, sociólogo e ensaísta. Foi ainda deputado Federal e ministro da Agricultura. Entre outras obras, foi durante sua gestão no governo que o Teatro Guaíra, a Biblioteca Pública do Paraná e o Centro Cívico, em Curitiba, foram construídos.

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