Por Mariana Honesko

O artesanato chegou na vida de José Loni Fraitay de repente. E não saiu mais. Vítima de um acidente de trabalho, há 30 anos, ele trocou os traços mais brutos pelos refinados. Fraitay abandonou o ofício de afiador de máquinas para lapidar seu próprio talento. A habilidade só foi descoberta, de fato, há três anos. “Depois do acidente eu tive vários outros problemas e há três anos, voltei a estudar e descobri o artesanato nas aulas de artes”, conta.
Até lá, a luta para combater a depressão, as sequelas de um AVC e da surdez parcial foi árdua. A missão só ficou mais leve por conta do apoio que recebeu da companheira, a também aposentada Maria Juraci, a popular “dona Jurema”. A esposa é também quem arremata o trabalho artesanal. “Ajudo no acabamento e com a decoração”, sorri. É ela também quem colocou limite no obstinado marido. “Tinha dias que ele ficava horas fazendo os vasos, horas em pé. Nem comia. Aí, coloquei uma cota: são seis vasos por dia só”, explica. O resultado tem agradado e surpreendido inclusive os familiares. “Nossos amigos e parentes ficam admirados com tudo isso”, sorri Jurema.
Não é para menos: Fraitay trouxe das aulas do Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceebja) – ele cursa disciplinas da quinta série ao oitavo ano – a beleza da criação de vasos de flores. Todos nascem a partir de caixas de leite vazias. O aposentado recorta aqui, cola ali, grampeia lá e pronto: o molde, ora oval ora em trapézio, é preenchido com argila e serragem. Logo, recebe camadas de texturas que mesclam betume e tinta. Rendas em palha e laços coloridos encerram a produção em um acabamento sem falhas. “Gosto de tudo bem perfeitinho”, sorri Fraitay. As peças são vendidas já com flores artificiais. Cada vaso custa, em média, R$ 35.
A produção tem feito tanto sucesso que o aposentado desdobra-se para atender pequenas exposições e ministrar palestras nos colégios, cujo foco é o reaproveitamento de “lixo” na produção de arte. Nesta semana, os vasos prontos foram fotografados para compor o catálogo de vendas. Sem rede social e, temporariamente, sem muitas condições de transporte, a divulgação do trabalho depende essencialmente do boca a boca. As fotos, que devem acabar sendo replicadas na internet, são a aposta do artesão.

Em casa, por enquanto, o santo tem feito milagre. “Fiz as lembrancinhas de casamento do meu filho”, conta, orgulhoso. Nas mesas para cerca de 40 convidados, vasinhos pérolas arrancaram exclamações. O modelo não utilizou caixas de leite: foram peças feitas com tramas de jornal o que garantiu elogios. O material também é utilizado com frequência, assim como garrafas de vidro e potes de plástico. Nas mãos de Fraitay, tudo pode virar arte.
Onde encontrar as peças
O telefone 8863-0252 está disponível para contato. Fraitay mora no Bairro João Paulo II, em União da Vitória.