Por Mariana Honesko
Tradicional na Quaresma, a Campanha da Fraternidade marca ações voltadas ao bem-estar da sociedade. Pelo menos, essa é a intenção da comunidade Católica, que lidera o movimento. “A campanha é para sociedade, no sentido de questioná-la quanto aos aspectos onde a sociedade está sendo ferida”, explica o bispo diocesano em União da Vitória, Dom João Bosco.
Neste ano, o tema é bastante sério e, ao contrário do que se pensa, tem ligação com a realidade do país e até da região. A campanha fala sobre o tráfico humano, prática comum mas ainda velada. “É algo perigoso, criminoso, e que atinge especialmente os mais pobres. O tráfico compra por preço barato a dignidade das pessoas, transformando-as em escravas”, pontua João Bosco. Ele ainda lembrou a recente abordagem sobre o tema na televisão. A novela global, “Salve Jorge”, chamou a atenção sobre a prática a partir da ficção. “Nós já havíamos discutido o temo muito antes mas a abordagem da novela foi interessante também”, comenta.
A campanha, uma decisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sugere uma sensibilização e alerta ao tema. A meta dela, também, é auxiliar na identificação e denúncia das práticas de tráfico de pessoas em suas várias formas. Com a campanha, em todo o país, paróquias e dioceses programaram atividades para os 40 dias do período da Quaresma. A Campanha da Fraternidade começou no dia 5.
Mensagem do papa
Durante a cerimônia de abertura das atividades em prol da campanha, o papa Francisco se manifestou. Por meio de mensagem, disse que não é possível ficar impassível, “sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria”. “Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz”, apontava, em partes, a nota.
Período para reflexão
A Quaresma convida, especialmente os católicos, para um período de jejum, moderação e autonegação. Denominações protestantes reforçam o número de fiéis voltados ao período. A Quaresma termina na Sexta-feira Santa.