
Em todo o Brasil, banir o consumo de canudos de plástico vem se estabelecendo como uma tendência. Grandes redes de alimentação, por exemplo, vêm aderindo aos movimentos pró-ambientais. Outras empresas, estão se propondo a cumprir com essa medida pelos próximos anos. A famosa, McDonald’s, também anunciou recentemente que deixará de usar o canudo de plástico em lojas do Reino Unido e da Irlanda. Governos também entram na discussão, com vetos, inclusive, no Rio de Janeiro. A medida que tem o canudinho como pivô, discute a poluição ambiental. O acessório se tornou a “porta de entrada” para discussões mais profundas e por ser um item de consumo diário, ganha este apelo.
Dados publicados na revista científica Science em 2015, apontam que a humanidade gera um total de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano – e um valor entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas chega aos oceanos. A expectativa dos ativistas é que, ao chamar a discussão para os canudos plásticos, os consumidores se conscientizem e deixem de utilizar outros materiais de uso único, como sacolas e garrafas – que são responsáveis por índices de poluição maiores.
No Brasil, a discussão sobre proibir o uso do canudo, vem crescendo. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi a primeira cidade brasileira a ter uma lei proibindo o uso de canudos de plástico. Mais de três mil estabelecimentos já receberam a visita de fiscais da prefeitura, que começam a aplicar as multas a partir de setembro. Outras capitais, que ainda não têm essa lei, estão se antecipando. Em Belo Horizonte, a comunidade já vem trocando o canudo de plástico pelo de papel.
Impactos
Se vão para oceanos, os resíduos plásticos são danosos para a vida animal. Um estudo concluído recentemente descobriu ainda que o lixo plástico pode aumentar a imunidade de corais a doenças, causando sérios danos. Em escala global, os canudos plásticos representam cerca de 0,03% dos resíduos desse tipo de material, informou a Bloomberg. Segundo o Relatório de Limpeza Costeira de 2017 da Ocean Conservancy, o lixo mais comum encontrado nas praias são os cigarros, seguidos por garrafas plásticas, tampas de garrafas, envoltórios e sacolas.
Em uma recente entrevista concedida ao Grupo Verde Vale de Comunicação, a engenheira ambiental, Lisandra Kaminski, disse que a proibição dos canudos é importante, mas, acima de tudo, considera a proibição como o início de uma importante discussão. “Vejo que o grande ponto deste tipo de proibição é a reflexão que traz sobre o consumismo e o descarte de materiais plásticos que vêm ocorrendo de forma assustadora. Acho que é o início de uma série de outras proibições e mudanças de comportamento com relação ao consumo e descarte dos plásticos”, comenta (a entrevista completa está disponível no portal VVale, na página da rádio CBN Vale do Iguaçu).
Reciclagem
Como já mostrou o jornal O Comércio em outras edições, a separação correta do lixo – o que é orgânico em um lugar e o reciclagem, em outro – ajudara na redução do impacto ambiental. Vale lembrar que em União da Vitória, por exemplo, são cerca de 730 toneladas de lixo recolhidos por mês e levados para o aterro. Em Porto União, são, em média, cerca de 560 toneladas mensais. É muita coisa e muito, poderia nem estar nos aterros, se a separação do lixo tivesse sido feita corretamente.
Uma reportagem especial, disponível na página do Senado Federal, mostra como os grandes países tratam o lixo que geram. O primeiro exemplo mencionado é o da Alemanha. Líder mundial em tecnologias e políticas de resíduos sólidos, o País quer alcançar, até o final desta década, a recuperação completa e de alta qualidade dos resíduos sólidos urbanos, zerando a necessidade de envio aos aterros sanitários (hoje, o índice já é inferior a 1%). Desde junho de 2005, inclusive, a remessa de lixo doméstico sem tratamento ou da indústria em geral para os aterros está proibida.
O Japão é outro exemplo citado na matéria como sucesso neste assunto. Junto com o crescimento econômico do País, a partir da década de 1960, ele se viu diante do desafio de encontrar um destino para o lixo. Como a área territorial é pequena, se comparada à população, reduzir o volume de resíduos sólidos levados aos aterros é essencial. Graças a uma série de iniciativas, algumas já com meio século, o Japão é um dos países mais avançados nesse campo. Em 1970, entrou em vigor a Lei de Gestão de Resíduos, primeiro passo em direção ao atual sistema, que envolve toda a cadeia da produção e destinação do lixo, encarada a partir dos conceitos de reduzir, reciclar e reaproveitar. Desde 1997, as emissões de dioxinas e outros poluidores de usinas de incineração foram reduzidas em 98%. São mais de 1,2 mil plantas em atividade, a maioria adaptada ao conceito de alto controle de poluição e alta eficiência energética.
“Cadê o canudo?”
Talvez essa pergunta continue ecoando por algum tempo até que a saída dos utensílios de plástico seja totalmente subtraídos do mercado e, especialmente, dos estabelecimentos que comercializam alimentos. Será preciso, de fato, se acostumar. No Vale do Iguaçu, alguns endereços já vêm aderindo ao movimento, ora por simplesmente excluir a disposição do canudo de plástico, ora por ter o material em versões biodegradáveis, por exemplo.
Novamente se antecipando à uma mudança oficial e legal, os proprietários do Kamelien Haus, por exemplo, em União da Vitória, já vêm oferecendo canudos de aço para os clientes há cerca de 30 dias. “Temos a opção do kit com canudo em curva e reto, o limpador dos canudos e o saquinho de tecido, que a pessoa pode adquirir e carregar na bolsa. Esse kit custa R$ 30. Temos também a opção do canudo curvo, no valor de R$ 10, que a pessoa compra e leva para casa. As pessoas têm feito isso. A gente também tem o canudo de papel em alguns drinks”, conta o empresário, Marthus Benoni Marcolin.
O que você acha?
Essa foi a pergunta feita pela reportagem em uma sondagem informal, na rede social. Em poucos minutos, a comunidade se manifestou sobre o tema. Em pauta, o fim dos canudinhos de plástico. Leia algumas respostas e colocações sobre o assunto.
“O ser humano é suficientemente capaz de produzir canudos que não acabem matando seres marinhos. Existem alternativas como o canudo de palha, canudo de bambu que são biodegradáveis, ou canudos permanentes a exemplo dos de vidro, e os de silicone” – Jean Knetschik
“Acho que o uso não deve ser proibido, porém deveria haver alguma multa/punição para quem descartar esse material de forma errada. Claro, e a criação de um método que monitore o consumo e descarte” – Bruno Guilherme Fernandes
“Concordo. Vou mais longe. Temos que proibir as garrafas pet” – Giovani Ferreira
“É bacana, mas lanço um questionamento: e os refrigerantes, água mineral e assim por diante? Porque as grandes companhias não fizeram nada em relação a seus lixos?” – Hemily Fhabiana Iwanusk
“Quanta poluição esse plástico já deixou no meio ambiente, através de humanos com preguiça de jogar no lixo. Tem que proibir, assim acredito que tenham mais respeito” – Percy Kompas