CARNE FRACA: Breyer e Cia é citada na operação

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Atualizado há 10 anos

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(Foto: Ricardo Silveira).

O que uma empresa exportadora de mel tem a ver com o escândalo resultante da Operação Carne Fraca da Policia Federal? De acordo com o proprietário da empresa Breyer e Cia Ltda, Henrique Felix Erick Breyer, nada. Mesmo assim sua empresa caiu na rede de informações das Polícia Federal do Paraná (PF-PR). Na sexta-feira, 17, durante a operação da PF, para combater corrupção de agentes públicos federais e crimes contra Saúde Pública o empresário de União da Vitória, recebeu um mandado de condução coercitiva, que é quando alguém é levado para depor, sem constrangimento à sua liberdade.

De acordo com Henrique Breyer, o depoimento aconteceu na delegacia de Porto União, pois reside no município. “Minha empresa sofreu com um mandado de busca e apreensão por outra equipe do Paraná”, explicou. Apesar de não ter nenhuma relação com atividade de beneficiamento de carne, a empresa se viu envolvida na teia de informações relacionadas a fiscais agropecuários suspeitos de corrupção na liberação de certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.

Fiscais suspeitos

O que aconteceu, segundo Breyer, é que pelo menos três fiscais suspeitos já assinaram os certificados de inspeção federal (Serviço de Inspeção Federal). “Fui lá depor e expliquei que minha empresa tem 38 anos no mercado mundial de exportação e que jamais fui procurado para participar ou fazer qualquer coisa irregular”, disse. E prosseguiu: “O importante é que eu estou colaborando com a justiça para a elucidação dos fatos. Minha empresa é limpa, isso será provado. O problema é o prejuízo financeiro e moral de uma empresa construída sobre fortes pilares de honestidade”, lamentou.

Breyer explica que o problema não é com a qualidade do seu mel e sim com os fiscais que supostamente teriam se envolvidos em práticas de corrupção. O empresário se diz tranquilo. O temor é que a justiça determine a interrupção de suas atividades [da empresa], até o término do inquérito. “Aí sim os prejuízos serão incalculáveis. Meus advogados estão acompanhando tudo”, falou. O empresário contou que recebeu ligações de todo o Brasil para explicar o que uma empresa de mel fez para estar no meio do escândalo de frigoríficos que vendem produtos com suspeita de alteração

Tranquilo

Henrique Breyer diz que depois do susto está tranquilo, está colaborando com a polícia e confia no resultado das investigações. “Tenho certeza que minha atividade é honesta. Jamais compactuaria com atividades ilícitas. Jamais pensaria em corromper funcionários públicos para obter vantagem. Nossa luta até chegar a condição de exportador de mel foi muito dura”, desabafou. Falando pela empresa disse que essa prática seria perniciosa e ingênua. “Temos know how para exportar, não faz sentido entrar em um caminho tão perigoso”, garante.

Importadores de carne reagem

 Após a Operação Carne Fraca, que apontou fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, alguns países importadores anunciaram restrições temporárias à entrada de carne brasileira, entre eles a União Europeia, Coreia do Sul e China. Estes três países juntos responderam por 27% das exportações brasileiras de carne em 2016.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador. O setor vendeu para mais de 150 países no ano passado e agora se preocupa com os impactos negativos do esquema de venda de carne supostamente adulterada. A operação foi deflagrada na sexta, com mais de mil policiais envolvidos para cumprir 309 mandados, depois de dois anos de investigações. No total, são 21 empresas são suspeitas de fraudes.

A ação envolve grandes como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas, mas também frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná. As empresas negam irregularidades.

Volume de exportações

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as vendas de carnes para a União Europeia, Coreia do Sul e China cresceram nos últimos anos e ganharam peso na pauta exportadora brasileira. Em 2013, somaram US$ 2,82 bilhões, o equivalente a 17,8% de toda a exportação de carne do Brasil a outros países. Em 2016, passou para US$ 3,67 bilhões, 27,2% do total.

Santa Catarina avalia impacto da “Carne fraca”

O governador Raimundo Colombo se reuniu ontem à tarde, com os secretários da Agricultura, Moacir Sopelsa, da Fazenda, Antonio Gavazzoni, da Casa Civil, Nelson Serpa, e da Comunicação, João Debiasi, o secretário adjunto da Agricultura, Airton Spies, e os presidentes da Cidasc, Enori Barbieri, e da Epagri, Luiz Hesmann, para avaliar os reflexos da operação Carne Fraca para Santa Catarina.

Colombo disse que a rigorosa fiscalização dos produtos de origem animal no Estado sempre buscou garantir a qualidade na produção e na comercialização dos produtos. “Esse rigoroso controle permitiu que Santa Catarina conquistasse o mercado brasileiro e o de mais de 150 países. Temos uma tradição consolidada pelo trabalho e dedicação do povo catarinense”, afirmou o governador.

O secretário da Agricultura, Moacir Sopelsa afirmou que por ser Santa Catarina rigoroso na fiscalização da produção e o único Estado do País com o título de zona livre de febre aftosa sem vacinação – o que garantiu acesso aos mercados mais exigentes do mundo – o Estado pode ser um dos mais prejudicados por essa crise.

O presidente Michel Temer disse ontem também, ao comentar a operação Carne Fraca, que o agronegócio no Brasil não pode ser desvalorizado por um “pequeno núcleo” e por uma “coisa que será menor”. O presidente ainda defendeu o sistema sanitário no país e afirmou que os frigoríficos investigados representam um número pequeno do total.

Reação

A situação até o encerramento desta reportagem era a seguinte:

– UE: pediu que o Brasil suspenda a exportação de empresas envolvidas;

– China: carnes brasileiras estão retidas nos portos;

– Coreia do Sul: baniu frangos da BRF; empresa diz que não foi notificada;

– Chile: suspendeu temporariamente a importação da carne bovina

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