Carne suína catarinense é autorizada a entrar no Japão

Novo mercado pode contribuir para conter a crise do setor

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Atualizado há 14 anos

 

*Por Andréa Leonora* 

“É uma grande conquista! Nós vamos melhorar os nossos negócios numa área na qual somos muito produtivos e que tem grandes volumes: a carne suína.”

A declaração em tom de entusiasmo é do governador Raimundo Colombo, logo após ter sido informado de que o Ministério da Agricultura do Japão aprovou os mecanismos e garantias de sanidade animal apresentadas por Santa Catarina e, com isso, autorizou as importações de carne suína catarinense para o mercado japonês.

De acordo com o secretário adjunto da Agricultura e Pesca, Airton Spies, a decisão ainda não significa a consumação de negócios. “É a etapa mais importante que faltava ser vencida, o último obstáculo a ser removido do caminho”, explicou.

Agora, dois técnicos do Ministério da Agricultura do Brasil, que estavam na China, seguirão para o Japão a fim de negociar com o ministério de lá o Certificado de Inspeção Sanitária que vai acompanhar os produtos.

A próxima etapa é a autorização de plantas industriais que poderão exportar para o Japão. “É provável que em 60 dias essas duas novas etapas estejam concluídas e aí os compradores começarão a negociar com os produtores e agroindústrias catarinenses. Até o final do ano já teremos negócios efetivados”, estima Spies.

Atualmente, o Japão é o maior importador mundial de carne suína, comprando 800 mil toneladas por ano, tendo como principais fornecedores os Estados Unidos e o Canadá. Uma grande vantagem de Santa Catarina nesse cenário é que o estado já responde por 90% da importação de carne de frango no Japão. “Os canais de negociação estão abertos. Agora vamos diversificar”, disse Spies ao destacar, ainda, o fato de que o mercado japonês consome carnes de alto valor agregado.

A meta inicial é conquistar 15% do mercado importador japonês para a carne suína catarinense. “Isso representa 120 mil toneladas por ano, com potencial de crescimento. Quem sabe até chegar à participação de 90%, como temos hoje no frango”, arrisca.

Colombo acredita que a notícia acende novas esperanças para os suinocultores catarinenses, que há vários meses enfrentam crise profunda. “É uma grande conquista porque vai movimentar muito dinheiro e gerar muitas oportunidades de negócios. Vai valorizar a atividade e nos ajudar a superar essa crise pela qual o setor está passando.

Até porque eles costumam pagar mais do que a média de preço internacional. Graças a Deus essa decisão chegou.” A decisão era aguardada desde 2007, quando o estado conquistou o título de zona livre de febre aftosa sem vacinação.

Cautela
O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Marcos Antonio Zordan, alerta que é cedo para dimensionar volumes e acredita que tudo vai depender do preço pelo qual a carne suína será negociada. Ele pediu cautela e deu os exemplos da China e dos Estados Unidos.

“Quando foi aberto o mercado chinês, acreditamos que o volume de negócios seria intenso por conta da grande população. Mas as vendas para aquele país não decolaram porque o nosso preço não é competitivo. O governo passado comemorou a abertura do mercado dos Estados Unidos e até incentivou os criadores a aumentarem o número de pocilgas.

Entretanto, até hoje não foi vendido sequer um quilo de carne suína para aquele país.” Zordan defende que a maior vantagem para Santa Catarina nesse primeiro momento é o status que a decisão do governo japonês confere ao estado.

Andréa Leonora trabalha na Central de Diários/ADI-SC/CNR-SC

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