
O cheirinho de roupa lavada mostra o capricho de Dona Verônica. Em uma cordinha improvisada entre o trinco da porta e o galho de uma árvore, ela pendura os seus pertences e do esposo Darci. O serviço é feito por volta das 10 da manhã. Nesta terça-feira não foi diferente. O cantarolar dos hits sertanejos do momento fazem parte da inspiração dos afazeres domésticos de Verônica. Tudo isso porque ali é o lar doce lar do casal. Está pode não ser a casa de seus sonhos, mas é a dos sonhos de Verônica e Darci. O casal vive em um cenário de extrema simplicidade. Nada de conforto. Nada de tecnologias de última geração. Porém, tudo de felicidade por ter um cantinho para morar. Verônica e Darci, há mais de cinco anos, moram em uma das casas da antiga Rede Ferroviária. A morada deles situa-se nas proximidades do Terminal Rodoviário de União da Vitória.
Nada de invasão
Darci conta que por meio de serviços prestados aos “home” da Rede Ferroviária pediu um cantinho para morar. Foi lhe oferecido, mas por um tempo, a casa da Rede Ferroviária. Ela fica entre os trilhos do trem desativados. O fato é que o cantinho de dona Verônica e seu Darci foi ganhando formato de um lar doce lar. Primeiro ganharam a geladeira. Depois a televisão. E assim foi. O resultado foi que o casal está há mais de cinco anos no local. E parece que pretendem ficar por muito mais tempo. É claro que se os funcionários da Rede Ferroviária assim o permitirem.
A história do casal
Darci Guedes é natural de Campos Novos (SC). Já Verônica Mathevicz dos Santos tem suas raízes na cidade vizinha de Cruz Machado. Ambos não imaginariam que um grande amor poderia florescer entre os dois. Verônica teve outro marido, teve filhos e tem netos. Já Darci teve outras namoradas, mas casamento não. Segundo Verônica a vida dá muito voltas. E foi nestas voltas que o destino do casal teve um ponto de parada. Verônica conta que estava descontente com o casamento e por isso veio morar em União da Vitória. O problema é que sem empregos e sem os familiares entrou no mundo do álcool. Ela mesma conta que a bebedeira era tanta que chegou a ficar internada na Clínica HJ por mais de um ano. Darci também teve problemas com o álcool e chegou a ser internado também. E foi após a alta da clínica que eles se conheceram. Ambos passaram a trabalhar com o recolhimento de materiais recicláveis da cidade. Verônica conta que enquanto empurravam os carrinhos e vendiam ferro velho os olhares se cruzaram e foi amor a primeira vista.
Sem panela, mas com muito amor
Verônica afirma que o início do relacionamento deles foi baseado no amor, pois ambos não tinham panela e nem um real no bolso quando resolveram morar juntos. A aquisição dos utensílios domésticos que dispõem hoje foi feita aos poucos.
Verônica, a porta voz
Você já deve ter reparado que a maior parte das narrativas da história do casal é contada por Verônica. Ela é capaz de falar inúmeros assuntos em menos de um minuto.
Um cômodo só
A casa de Verônica e Darci tem apenas um cômodo. É ali que encontramos a cozinha, a sala, a dispensa e o quarto do casal. É claro que a divisão dos cômodos não existe.
O quarto do casal
Para Verônica e Darci tudo é uma festa. O quarto do casal fica no coração da casa. Para se ter uma ideia, o móvel que mais chama a atenção é a cama do casal, que por sinal é muito original. Eles dormem dentro de um carro. Isso mesmo! Darci retirou os assentos de um veículo Caravan e os substituiu por um colchão. Para tudo eles dão um jeito, mesmo que no improviso.
Higiene
Na casa do seu Darci e dona Verônica não tem banheiro. No entanto, a higiene acontece no Terminal Rodoviário de Porto União. Inclusive o banho é efetuado no local.
Para ser feliz
Verônica, hoje com 49 anos, e Darci, com 48 anos, consideram-se um casal muito feliz. Segundo Verônica a única coisa que lhe falta é uma toalha de mesa e um liquidificador. No mais, ela explica que já é o suficiente. “Vivemos muito bem assim. Nossa renda mensal é de R$ 150. Mesmo assim estamos felizes”.