
A metragem da pista do aeroporto José Cleto, em União da Vitória, segue desatualizada na página eletrônica do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A informação errada é na metragem da pista de pousos e decolagens divulgada pelo DECEA.
Ao invés dos 814×30 metros de área atuais, o órgão não atualizou as informações desde a reinauguração da pista em novembro do ano passado. Por conta deste erro, os dados continuam com a metragem antiga: 1000×30 metros.
O erro já havia sido apontado por O Comércio no dia 19 de janeiro e alertava para o risco nas manobras de pousos no aeroporto José Cleto. Naquela ocasião, a reportagem lembrou que a reforma da pista foi entregue no dia 23 de novembro de 2018, e que a área de pousos e decolagens diminuiu em 200 metros.
O gestor do aeroporto, Clodoaldo Goetz informou que as devidas comunicações foram feitas ao Cindacta II ainda no ano passado. Contudo, um mês depois, a autoridade aeroportuária federal, não havia providenciado as correções das alterações para a adaptação de pilotos de aeronaves.
A reportagem de O Comércio voltou a consultar dados do ROTAER nesta terça-feira, 25, às 14h30, com os dados do CINDACTA 02, do Departamento de Controle Aéreo e Espaço, e constatou que o erro de informação permanecia.
Perigo
Os pilotos alertam que esse tipo de informação errada na metragem da pista, induz pilotos experientes ao erro, caso o profissional não tenha as informações precisas. “Um piloto da Bahia, por exemplo, ou qualquer outro lugar que não conheça o nosso aeroporto vai consultar os dados oficiais do Cindacta. Como a autoridade aeroportuária indica que um local que tem 800 metros de pista, possui 200 a mais, o piloto pode ter problemas na aterrissagem”, comentou um dos pilotos do aeroclube local.
Se o piloto der a volta no morro do Cristo e pousar ele tem chance de usar os 200 metros que sobraram como área de escape. Por outro lado, se ele [o piloto] aterrissar com sentido à Avenida Paula Freitas, pode faltar pista e a aeronave bater na cerca de proteção e parar na principal avenida do Distrito de São Cristóvão.
O que diz a autoridade aeroportuária local
O Secretário de Planejamento e gestor do aeroporto José Cleto, Clodoaldo Goetz, reafirma que foram feitas as devidas comunicações ao Cindacta II ainda no ano passado. “Nós fizemos todas as solicitações de alteração nas informações sobre a nova condição da pista, então a responsabilidade por essas informações é do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA)”, explicou.
Novo plano de segurança
O prefeito Santin Roveda informou recentemente que vai promover outro plano de segurança para incluir os outros 200 metros que foram tirados no plano anterior. Segundo o gestor, o primeiro plano seguiu regras da Anace precisava ser aprovado para o asfaltamento da pista, sob pena de perder a verba. Agora o prefeito disse que vai fazer outro plano e propor uma parceria Público Privada (PPP) para terminar a parte que ficou como área de escape e outras melhorias pontuais que o aeroporto precisa.
O prefeito se mostrou cético quanto a possibilidade de o aeroporto operar voos comerciais no futuro. “É preciso entender que isso tem um custo gigantesco. Em Pato Branco o aeroporto funciona com voos comerciais e foi investido R$ 15 milhões por meio de parcerias entre o o município, Governo Federal, Governo do Estado e Associação Empresarial de Pato Branco (ACEPB). Neste momento, para a nossa cidade é surreal”, disse.
A principal reivindicação do aeroporto hoje é a iluminação noturna da pista para pousos e decolagens de emergência e um equipamento que propicie uma comunicação eficiente entre a base e as aeronaves que sobrevoam o perímetro.