Clube de Mães busca mais voluntárias

Entidade da APMI faz o convite para quem tem vocação. Bebês de famílias carentes recebem atenção especial

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Clube de mães - Cópia
Maria de Lurdes lidera a presidência há 35 anos, continua na produção e espera aumentar o número de voluntárias

As mãos são ágeis e tricotam o bem. Aos 61 anos e dona de uma vitalidade de fazer inveja para os mais novos, Maria de Lurdes Marcante lidera mais um ano à frente da presidência do Clube de Mães da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) de União da Vitória. A missão não deve sair logo de seu cotidiano: afinal, lá se vão 35 anos como presidente de uma entidade que começou tímida, agigantou-se mas que agora abre suas portas para novas voluntárias. “Já chegamos a ter mais de 30 voluntárias. Hoje somos em poucas e a maioria já é senhoras, tem idade”, explica.

Por isso, o convite está aberto: para ser uma voluntária, basta cultivar o desejo. O “sim” dado ao pedido garante algumas horas de diversão por semana. Pelo menos, é isso o que a confecção do enxoval para bebês, filhos de mães carentes, e algumas horas de boa conversa representam para Maria de Lurdes. “O trabalho é ótimo. A gente faz amizade, conversa, dá risada. Até a depressão é curada lá”, sorri.

O Clube de Mães promove seus encontros nas segundas-feiras. As reuniões duram a tarde toda e começam logo após o almoço. A APMI cede espaço e doa o café da tarde para o grupo. A organização é tão clara e as ações tão benéficas que o clube já virou tema, inclusive, do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do jornalista Murilo Souza. “Ele ficou conosco várias segundas-feiras, viu nosso trabalho. Foi muito legal”, lembra orgulhosa, a presidente.

Para Souza, as visitas garantiram a aprovação e o diploma. Para o clube, visibilidade. Neste ano, o grupo quer manter-se assim, visível à comunidade. Por isso, além de mais voluntários, o clube busca por doações de material. Como é filantrópico, não há giro de recursos próprios. “Estamos sempre pedindo para as entidades e tudo o que vem é bem-vindo”, explica Maria. Além de material para a produção das roupinhas, como lã, fios de crochê, agulhas e tecidos, peças usadas, mas em bom estado, também são recebidas. “O que não serve para o enxoval, entregamos para a pediatria do hospital. Sempre tem criança carente internada que não tem roupinha para trocar”, diz.

Em média, as voluntárias do clube produzem cerca de 50 kits por mês. A entrega segue critérios da Assistência Social do hospital. Quem é carente, volta para casa com o bebê e uma sacola cheia de roupinhas. Em média, 30 conjuntos saem das prateleiras. O clube também recebe mulheres interessadas em conhecer as técnicas de produção. Não há distinção de idade, tampouco de classe social. “Quem quiser aprender, pode vir no clube que a gente ensina”, convida a presidente. Mesmo ciente da necessidade de um grupo maior, Maria é honesta: o voluntariado precisa ser natural. “Porque é algo que não traz nenhum retorno financeiro. Ninguém ganha nada em dinheiro, mas ganha em satisfação. A gente ajuda quem recebe e acaba se ajudando também”, ensina.

Retorno só em março

As atividades do Clube de Mães estão temporariamente interrompidas. Conforme a presidente da entidade, o retorno só ocorre em março, após o Carnaval. A pausa é por conta da necessidade das voluntárias. A maioria está viajando ou cuidando de seus familiares. Diante de um calendário “apertado” – férias e Carnaval – a decisão da diretoria definiu o dia 10 como data para a retomada das atividades.

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