Por Andréa Leonora-CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários
Na reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), realizada ontem pela manhã na sede da Federação das Indústrias (Fiesc), o assunto que provocou maior debate foi a carência de gás natural para o abastecimento do Sul do Brasil. Formado pelos estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, o Codesul representa hoje, segundo dados da Fiesc, o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, é a segunda maior região exportadora, tem 8,5 milhões de trabalhadores, dos quais 2,5 milhões no setor industrial, e 30 milhões de habitantes. Em 2012, os tributos gerados pelos quatro estados chegaram a R$ 100 bilhões, 15% do total do país.
Com base nesses dados, a reunião resultou num alerta para o risco de desabastecimento de gás natural. De acordo com o governador Raimundo Colombo, que está na presidência do Conselho, a dificuldade de oferta limita o desenvolvimento dos estados. “O gás é uma energia estratégica e há uma demanda muito grande. Temos que ofertar a quantidade necessária.” O documento assinado ontem pelos representantes dos quatro estados – Colombo, Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, Flávio Arns, vice-governador do Paraná, e Simone Tebet, vice-governadora do Mato Grosso do Sul – e encaminhado à Petrobras sugere a construção de terminal em um dos portos do Codesul para recebimento e distribuição do gás.
Para Colombo e Genro, o transporte por navio pode ser a solução, mas também é necessário um aumento imediato de 50% no volume do gás destinado à região. “Alternativas existem, mas é preciso uma definição da Petrobras. Se não for feito algo, e rapidamente, teremos uma crise na produção industrial dos estados do Sul, em função da energia”, decretou o governador gaúcho.
Santa Catarina
O presidente da SCGás, Cosme Polêse, explicou que o Brasil tem contrato com a Bolívia para a importação de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia (m³/dia), aproximadamente, volume distribuído para vários estados. Para Santa Catarina chegam 2 milhões m³/dia. “Entretanto, em julho nós já chegamos a 1,922 milhão de metros cúbicos, ou seja, estamos no limite do que prevê o contrato, que vence em 2019. A Petrobras precisa assegurar um suprimento adicional e agir para a equidade da tarifa.” Segundo afirmou, por conta do câmbio, o gás da Bolívia está cerca de 20% mais caro que o nacional, prejudicando as indústrias que dependem dessa fonte.
O presidente do Sistema Fiesc, Glauco José Côrte, endureceu o tom em sua participação: “Precisamos de uma política governamental clara para esse setor, que contemple o fortalecimento da agência reguladora e a entrada de novos players. Já temos investimentos sendo inibidos por falta de disponibilidade do gás natural e se não cuidarmos disso teremos um impacto negativo em investimentos e em geração de empregos.” Ele afirmou que “há muitos anos” se tenta obter do governo federal uma posição sobre a possibilidade de ampliação do fornecimento de gás para a região Sul, sem qualquer sinal positivo. “Se a Petrobras não tem interesse em ampliar o suprimento de gás para a região, nós temos que buscar alternativas. E essa é uma: atrair investidores que tenham interesse em operar nesse mercado que, hoje, se encontra no monopólio da Petrobras.” Para Côrte, além da pressão das federações das indústrias dos estados do Sul, é necessária também uma cobrança enfática da bancada federal. No estado, os setores mais dependentes são o têxtil e o cerâmico, ambos vivendo crise de competitividade com concorrentes internos e externos.