Com apoio do CREA-PR, entidades de classe debatem prevenção a catástrofes em Irati

·
Atualizado há 12 anos

prevenção-catastrofes-irati
(Foto: Assessoria).

Pensar e planejar as cidades para enfrentar adversidades climáticas é um dos principais desafios dos municípios em cenário nacional. Com esse foco, entidades de classe profissional, com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-PR), promoveram na última quinta-feira, 25, um ciclo de palestras e debate sobre a prevenção contra catástrofes, na Câmara Municipal de Irati. As discussões contaram com a participação de professores e acadêmicos da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) e de representantes do poder público.

Organizaram o evento a Associação Regional dos Engenheiros Civis de Irati (ARECI), a Associação dos Engenheiros Agrônomos da Região de Irati (AEARI) e a Associação dos Engenheiros Florestais da Região Centro-Sul do Paraná (AEFLOR).

O debate integra o projeto Paraná Futuro do CREA-PR, cujo objetivo é contribuir para a elaboração de planos de desenvolvimento do Paraná com a participação não só do Conselho, mas de entidades de classe, instituições de ensino, poder público e sociedade em geral. O programa passou por uma fase de levantamento e diagnóstico, que culminou no livro “Uma contribuição para Planos de Desenvolvimento do Paraná – Passado, presente e uma visão de futuro”, coordenado pelo assessor de projetos estratégicos da Presidência do CREA-PR, engenheiro eletricista Luiz Carlos Corrêa Soares. Atualmente, o projeto está na etapa de discussão dos problemas específicos em diversos municípios paranaenses, constatados através do trabalho inicial.

“Pude constatar em Irati que a Defesa Civil e outros órgãos estão organizados. Porém, enfrentam problemas decorrentes do passado, do tratamento inadequado à natureza. E ela cobra o uso inadequado dos recursos naturais”, comentou Soares. “Há eventos naturais e outros decorrentes da ação humana, e é preciso cuidar da intervenção do homem. É um processo cultural, que exige medidas práticas, com uma visão de futuro, um projeto de sociedade que perdure mesmo com a mudança de governos. É um planejamento de longo prazo”, completou.

Irati enfrentou em junho deste ano uma das piores enchentes de sua história. A cidade é cortada por rios, córregos e arroios cujos leitos transbordaram após um período de chuvas intensas, alagando diversos pontos da área urbana. E a população convive com o medo de que novos eventos dessa natureza aconteçam.

O presidente da ARECI, engenheiro civil Dagoberto Waydzik, contou que a associação tem discutido o problema há anos. Inclusive, ele está entre os moradores prejudicados pela última enchente.  “Nos colocamos à disposição do poder público para auxiliar no planejamento e minimizar os problemas. Mas é preciso combater os efeitos, não a causa. Nesse sentido, temos proposto o uso e ocupação do solo adequados, porque a cidade está sendo ‘impermeabilizada’; o cuidado na liberação de novos loteamentos e até na intervenção daqueles já existentes, instalados com declividade excessiva; a dragagem de rios e arroios; e que o poder público não permita a instalação de imóveis à margem desses mananciais”, enumerou.

Autor do caderno “Prevenção de Catástrofes”, o engenheiro agrimensor Alvadi Coelho abriu o ciclo de palestras na Câmara falando sobre o papel da engenharia no enfrentamento ao problema. Desde 1992, ele estuda o comportamento do Rio Iguaçu em União da Vitória, que teve a pior enchente dentre os municípios afetados pelas chuvas no Paraná em junho deste ano. “Cada profissional de uma área enxerga o problema sob sua perspectiva – o geógrafo, o sociólogo, de Direito -, mas apenas o engenheiro tem o condão de intervir, de transformar as forças da natureza, eliminando esse estado de coisas, de transtornos na relação com o meio ambiente”, salientou.

O especialista também chamou a atenção destes profissionais para a sua responsabilidade na execução de projetos em áreas de risco, mesmo que planos diretores mal elaborados permitam a construção nessas regiões. “Jamais a engenharia pode ter uma visão tão estreita, de uma área que outrora foi desocupada ser ocupada de novo, sem qualquer medida tomada. No mínimo, ele tem de perceber que precisa projetar uma estrutura especial”, considerou.

Ações locais

A coordenadora de Defesa Civil de Irati, engenheira agrônoma Rozenilda Romaniw, falou sobre as ações, desafios e metas do órgão municipal. Ela traçou um histórico de todos os eventos severos registrados desde 1980, inclusive de inundações e enchentes, além da resposta da Defesa Civil. No último dia 18, o órgão entregou o plano de contingência do município, que consiste no cadastro de todos os recursos materiais e humanos disponíveis, além do plano de resgate de pessoas para fazer frente a um desastre natural.

Ontem, a coordenadora da Defesa Civil esteve em Curitiba participando de uma capacitação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para operar pluviômetros. O órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia cederá a Irati três desses equipamentos semiautomáticos e outros quatro automáticos. Os dispositivos vão possibilitar o monitoramento das chuvas e da cheia dos rios que cortam a cidade.

Rozenilda também representou a AEARI no ciclo de palestras. “Enquanto associada, considero muito importante esse espaço de interação, porque são profissionais que possuem histórico saber, têm formação e entendimento para discutir com bastante propriedade a prevenção a catástrofes. E quanto mais interagirmos com profissionais de outras áreas, com outros atores sociais, mais fácil conseguiremos buscar soluções”, considerou.

Outra palestra no evento foi proferida pelo presidente da AEFLOR, engenheiro florestal Marshall Watson Herbert. Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e MBA em Sustentabilidade e Gestão Ambiental, ele discorreu sobre “Plano de atendimento a emergências e gerenciamento de crise”. Herbert atua há seis anos no Comitê Permanente de Coordenação de Emergência numa concessionária de rodovias e disse ser possível transpor os conceitos aplicados na iniciativa privada, no atendimento a acidentes e incidentes nas estradas para eventos climáticos.

“O que está em discussão é o planejamento no controle de emergências. Os municípios estão começando a fazer esses estudos, pois são ocorrências aos quais estão sujeitos e exigem respostas rápidas aos eventos”, disse.

O presidente da AEFLOR também ressaltou o papel do engenheiro florestal, como profissional qualificado a trabalhar na prevenção a desastres naturais e na recuperação de áreas degradadas. “A associação, como representante desses profissionais, tem dado apoio na formação, com incentivo a cursos de qualificação, entre outras iniciativas”, afirmou.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!