Consumidor já paga mais caro pelo combustível

Aumento foi anunciado pela Petrobrás no final de semana. Elevação vai além do que está nas bombas

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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(Foto: Bruna Kobus).

Reajustados pela Petrobrás no final de novembro, os preços do combustível prometem uma série de consequências em cadeia. O aumento não fica apenas na bomba: ele foge dos postos de abastecimento e acaba afetando segmentos que, aparentemente, não tem qualquer ligação com o assunto. Lojas, supermercados e serviços, também vão passar a custar mais caro. “Com aumento de 6% no pedágio e outros 6% no combustível, a mercadoria também teve que subir”, explica o comerciante de uma casa de comércio popular de União da Vitória, Rosnei Heil. A conta do lojista denuncia que nas prateleiras o reajuste é necessário. Para ir até São Paulo, onde faz as compras para seu estabelecimento, Heil gasta R$ 160 apenas em pedágios. Na reta final de toda essa cadeia, aparecem produtos mais caros, em média, até 10%.

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Nerdival Luiz não gostou do preço: R$ 50 não fazem mais o mesmo efeito. (Foto: Mariana Honesko).

O preço mais caro interfere nos balcões, mas afeta diretamente quem depende do carro para trabalhar, estudar ou passear. O aposentado Nerdival Luiz Albini abasteceu os mesmos R$ 50, mas não viu o tanque chegar ao mesmo nível. “Antes davam 20 litros. Agora não deu 18”, conta ele.

Mas, não é preciso desanimar. O aumento no preço é um convite para caminhadas, por exemplo. Há quem já esteja apostando em dar folga ao carro, pelo menos, eventualmente. Ainda assim, quem depende dele tem como diminuir o número de visitas aos postos e, assim, economizar. A manutenção do veículo e a garantia de que ele está em bom estado, garantem menor consumo. “O carro precisa ter sua regulação correta. Um carro desregulado consome mais combustível”, explica o mecânico Miguel Tropak. O ensinamento vem da experiência. Com 63 anos de profissão, Tropak é um defensor da revisão periódica. “Pelo menos a cada seis meses, um ano”, sugere.

Mesmo com alternativas, quem tem carro ou motocicleta vai precisar encarar a realidade. Os preços subiram e estão mais salgados. A gasolina sofreu acréscimo de 4% e o diesel, 8%. Para o consumidor final, o aumento representa na bomba alta de 2% a 2,5%.

Mal necessário

A operacionalização de todo o trabalho ligado à venda de combustível é da Petrobrás. O produto é cotado no mercado internacional e o aumento sobre ele não prevê exatamente um ataque ao bolso do consumidor. “O governo, para assegurar a tranquilidade da população e do sistema financeiro e produtivo, precisa controlar os preços internos”, explica a economista Sueli Martini. A medida assegura os indicadores de endividamento e prevê, em prazo compatível, a convergência dos preços no Brasil com as referencias internacionais. “Na realidade é algo rotineiro e tem que ser feito”, reforça Sueli.
No Brasil, o mercado interno regula os valores praticados pelos postos de abastecimento. Podem – e devem – ocorrer variações nos estados e municípios. Dentro de uma mesma cidade, as opções de preços também variam. O modelo é sadio, já que o cartel – quando os donos dos postos “fecham” um único valor em todas as unidades – é proibido.

A relação entre demanda e oferta prevalece. Por isso, além de outras formas de driblar o aumento, os consumidores podem também pesquisar a melhor oferta. “O consumidor final tem várias formas de controle. Seja pelo uso adequado ou conservação do carro e pela busca de um preço que lhe convenha”, sinaliza a economista.

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