
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou no dia 19, a proposta que obriga a divulgação, pelas emissoras de televisão, das informações do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. A inserção seria feita diariamente nos intervalos da programação das emissoras, por no mínimo um minuto, entre 18 e 22 horas. Caso não haja recurso para análise em Plenário, a matéria seguirá para a Câmara dos Deputados. As informações são da Agência Senado.
O autor do projeto (PLS 44/2016), ex-senador Cristovam Buarque, destaca que o objetivo da divulgação na mídia é ajudar nesta busca. De acordo com o texto, o governo federal será obrigado a fazer campanhas de utilidade pública para divulgar o cadastro. A publicidade deverá ser feita por meio de utilidade pública e incluir fotografias de pessoas desaparecidas.
Durante a discussão e votação da matéria na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), em 2016, Cristovam também sugeriu que, na análise na CDH, fosse apresentada uma emenda para incluir idosos e pessoas com deficiência nas campanhas. O projeto original se limita a crianças e adolescentes.
O relator na CDH, Telmário Mota (Pros-RR), emitiu parecer favorável e manteve as duas emendas aprovadas na CCT. Uma delas é de aprimoramento de redação. A outra define que as campanhas publicitárias de utilidade pública para divulgação de informações de desaparecidos serão pagas pelas dotações orçamentárias já consignadas ao Poder Executivo com esse propósito.
Na reunião, Telmário citou o exemplo de uma mulher que, em estágio terminal de câncer, tenta encontrar a filha fazendo um apelo pelas redes sociais. “Esse projeto é uma ação humanitária”, defendeu.
Para o senador, mesmo com a atualização por meio de nova versão do cadastro nacional, a divulgação em horários nobres e de grande audiência será mais eficiente. “Dezenas de milhões de pessoas tomarão conhecimento, diariamente, dos fatos de desaparecimento, multiplicando a chance de que alguém que tenha visto, ou que saiba algo, sobre a criança ou o adolescente desaparecido entre em contato com a família ou com os órgãos de segurança pública”, diz ele no relatório.
Portal
Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos foi criado em 2010. Quase três anos depois, foi lançada uma nova versão de seu portal na internet, possibilitando a qualquer cidadão registrar o desaparecimento de criança ou adolescente. Uma vez confirmada a veracidade das informações, toda a rede de atendimento — incluindo polícias, conselhos tutelares, organizações não governamentais e outras unidades locais de proteção — são informadas por e-mail.
No portal, o cidadão pode publicar fotografias, solicitar coleta de material genético de familiares (para possíveis investigações posteriores) e dizer se deseja, ou não, que os dados básicos do desaparecido sejam divulgados na internet. Também é possível imprimir cartazes para divulgação do desaparecimento.
ELAS DESAPARECEM
Não há um dado muito recente sobre o numero de crianças que desaparecem por dia no País. A última estatística é de 1999, quando o Ministério da Justiça e o Movimento Nacional de Direitos Humanos se juntaram para fazer um levantamento, conforme a revista Super Interessante. Nessa época, o número era de 200 mil pessoas desaparecidas por ano. Dessas, 40 mil eram crianças e adolescentes – uma média de 115,9 por dia
Para ler
O livro, Histórias de crianças desaparecidas, da jornalista Jerusa Serafim Weiss Marchi, é um livro-reportagem feito após uma pesquisa, ainda em 2006. A obra já foi premiada no Parana, na 12º Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense. O livro conta histórias de crianças desaparecidas, casos já resolvidos e outros sem solução.
No estado do Paraná, conforme a publicação, 778 crianças desapareceram desde 1997 a 2006. Nesse espaço de cinco anos, o livro conta o que aconteceu com algumas dessas crianças e suas famílias. Também mostra o trabalho de diversos profissionais envolvidos no trabalho de descobertas dessas crianças, como: policiais, psicólogos e jornalistas.