
No sábado, 26, a depredação sofrida pelo busto que homenageia o ex-presidente brasileiro, Getúlio Vargas, gerou na comunidade uma série de reflexões. A principal, sobre os motivos de vândalos terem escolhido o busto, querido por muitos e homenageado todos os anos pela família de Otacílio Amaral (veja quadro) para a violência. Da obra, que fica na Praça Alvir Riesemberg, no centro de União da Vitoria, só sobrou a base e as flores colocadas dois dias antes, pela passagem de seu aniversario de morte. De outro ponto de vista, a comunidade reclama da falta de segurança ao saber que, se fizeram algo assim com o busto, algo igualmente grave poderia ser feito contra residências, lojas e, porque não, com pessoas de verdade – diferente do busto, feitas de carne e osso.
Tão logo soube da violência, a Administração Municipal se manifestou. O vice-prefeito, Bachir Abbas, foi o porta-voz. Ele esteve no local, lamentou o ocorrido, mas também garantiu que “todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas”. “Inclusive as imagens das câmeras da Câmara de Vereadores já foram cedidas ao Major Taborda (da Polícia Militar) e sua equipe para investigação”, afirmou. “Que sirva de exemplo para as pessoas que depredam patrimônios públicos, porque não é dinheiro do Santin (Roveda) nem do Bachir: é dinheiro de todos os munícipes que esta sendo jogado fora e com certeza esses vândalos serão penalizados”, completou.
Não é caso isolado
Embora o caso envolvendo o busto de Vargas tenha ganhado visibilidade, danos ao patrimônio público em União da Vitoria não são raros.
Recentemente, por exemplo, reportagem feita pelo jornal O Comércio mostrou como curiosidade, os monumentos que compõe a Praça Coronel Amazonas, vizinha da praça onde estava o busto do ex-presidente. Todas as obras da Amazonas sofrem algum tipo de violação. Por lá, são as pichações os gestos de vandalismo mais comum: nem o bigode do próprio coronel escapou. Na época, a equipe de jornalismo ouviu a assessoria de comunicação da prefeitura. Ela informou que a Administração lamenta as cenas e reconhece a necessidade de intervenção. Contudo, uma restauração nas peças não é, no momento, prioridade. O assunto, por outro lado, está na lista de tarefas do prefeito e deve ser resolvido já no próximo ano.
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Há pouco mais de um mês, a reportagem do jornal O Comércio, falou sobre os monumentos da Praça Coronel Amazonas. Embora tenha apresentado as obras com cunho turístico, a matéria não deixou de mencionar o desgaste da maioria das peças. “Se nós não preenchermos bem o espaço, ela se torna um local para uso de drogas, roubas, assaltos, prostituições, prendendo toda a essência da praça”, comentou na ocasião o historiador, Aluísio Witiuk, lembrando que as praças nasceram na antiguidade, com a intenção de reunir as pessoas, de discutir, de filosofar. “A praça tem que ser um lugar de prazer, gostoso”, disse. “O que o turista teria de impressão se hoje visitasse a praça?”, completou.
CÓDIGO PENAL, ARTIGO 163
Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia é crime. A pena é detenção, de um a seis meses, ou multa
“(As praças) são espaços livres e públicos de grande importância para a sociabilidade das pessoas consistindo num referencial urbano marcado pela convivência humana em tempos diferentes e também com funções e proporções diferenciadas, no entanto, com um ponto em comum: é o local do encontro e da convivência, da reunião, de festejos, de cerimônias oficiais enfim, local onde se atestam valores sociais e de entretenimento. Logo, espaço de história, memória e patrimônio” – Leni Trenti Gaspari, ao jornal O Comércio, em 2013
Homenagem à Getúlio Vargas
Otacílio do Amaral, que faleceu no começo deste ano, cuidou por muito tempo da homenagem para o ex-presidente da República, Getúlio Vargas. A homenagem do sempre getulista marcava a data de falecimento do político, celebrada no dia 24.
SOBRE O EX-PRESIDENTE
Vargas era amigo do ex-prefeito de União da Vitória, Domício Scaramella e, em 1930, acenou da sacada do extinto Hotel Internacional. Gaúcho de São Borja, Getúlio Dornelles Vargas governou o País em dois períodos: o primeiro, de 1930 até 1945, e o segundo, de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando se suicidou no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então capital federal. Vargas foi o presidente que governou o Brasil durante mais tempo. Entre 1937 e 1945, instalou um regime ditatorial, conhecido como Estado Novo. Seu governo foi marcado por um período de significativos investimentos no Brasil e de adoção de direitos trabalhistas.