Os altos índices de suicídios registrados no Vale do Iguaçu, especialmente neste ano, não deixaram outra saída para um grupo de voluntários engajados com a causa. Por isso, eles se reuniram e estão tornando oficial o nascimento do projeto União Pró-Vida. Ele é da família do Centro de Valorização à Vida (CVV), mas, remodelado. “Tivemos que nos afastar da marca por conta de algumas exigências do CVV. Mas, vamos manter a filosofia”, explica Jonas, um dos pioneiros neste trabalho. O Pró-Vida é mais flexível quanto aos horários, por exemplo, e não exige a realização tão intensa de cursos de capacitação. O potencial menor em número de voluntários, também motivou a alteração.
O novo projeto ainda não tem data para começar os atendimentos. Até lá, por outro lado, os voluntários – eles já são dez – se preparam. A partir do próximo sábado, 4 de março, acontece uma série de encontros. Eles ocorrem no auditório da Secretaria da Educação de Porto União, das 14 às 17 horas. O curso é de graça, aberto à comunidade interessada em posteriormente ser voluntário no projeto.
Para facilitar o acesso de quem tem apreço pelo assunto, alguns postos de inscrições estão sendo abertos. O primeiro vai funcionar a partir desta sexta. É na “banca da Josi”, em frente ao Colégio Santos Anjos. “Quem quiser participar, basta chegar lá e dar seu nome para a inscrição”, explica.
A procura de um endereço
O União Pró-Vida ainda não tem sede, mas busca uma. Toda ajuda é bem-vinda, tanto do Poder Público quanto de entidades privadas. “Não precisamos de muita coisa, apenas um banheiro, água, luz e o telefone. O telefone é apenas a linha, já que o voluntário é proibido de ligar, só vai receber as ligações”, lembra Jonas. Também não precisa ser nada suntuoso: uma pequena sala, com espaço para ouvir, já está bom.
Como funciona o trabalho
Em algum momento, alguém vai dizer “alô”. E quem liga, nem precisa falar nada, apenas ouvir ou ser ouvido. Quem é voluntario, é voluntário: não recebe nada pelo serviço. São pessoas que, pensando na saúde mental de um desconhecido, doam um gesto simples, esquecido na correria: ouvir. “A vida é muito rápida e as vezes, o daqui há pouco pode ser tarde demais”, lembra Jonas.