Por Mariana Honesko
A família Metelski garante que a vida já não é mais a mesma desde o dia 16. Naquela madrugada, às 4h30, a van que era conduzia por Edilberto Metelski saiu da pista, bateu contra uma árvore, deixou 13 pessoas feridas e ceifou a vida do jovem Luis Olavo Contim Neto, de 22 anos. Metelski não esconde sua dor. De cabeça baixa e bastante emocionado, o motorista, que há cerca de cinco anos trabalha com transporte coletivo, garante ter insônia desde o acidente. Segundo ele, os segundos que o separaram da volta bem-sucedida para casa e o acidente, foram rápidos demais e longo o bastante para lhe custar dores na consciência. Metelski nega imprudência. “Eu vinha dirigindo a van e acabei achando que uma mancha no asfalto era um buraco. Tentei desviar e o acidente aconteceu”, conta.
O pai garante que o filho era exemplar na conduta, especialmente quando estava atrás do volante. “Nunca ninguém se queixou dele, do comportamento na estrada. Ninguém acreditava que isso fosse acontecer com o Beto (Edilberto)”, lamenta Edmir Metelski. Aos 35 anos e pai de um menino de onze, o motorista da van não sabe como será sua vida profissional. Contrariando a opinião do pai, que incentivava uma carreira nos negócios da família, ele optou pelo que lhe trazia mais alegria. Nas estradas, tinha a felicidade na palma das mãos. “Nunca estive envolvido em acidente”, afirma.

Depois do dia 16, os planos desmoronaram. Com dificuldades para se locomover, Edilberto revela uma vontade grande em procurar a família do jovem. Consolado pelo pai e pela mãe, Olita Metelski, o motorista tenta encontrar nas palavras uma forma de amenizar a dor dos familiares e amigos. “Não tive intenção nenhuma. Foi uma fatalidade. A estrada não perdoa ninguém. Eu gostaria de estar no lugar do rapaz. É uma vida, um peso que está nas minhas costas. Nunca fui irresponsável. Sempre coloquei a vida dos passageiros em primeiro lugar. A vida desse rapaz é algo que não posso trazer de volta. Só eu sei o que eu sinto. Não sei nem explicar. Peço desculpas, peço perdão”, diz.
Madrugada do dia 16
Segundo Edilberto, o retorno do grupo estava marcado para pouco depois da meia-noite. De União da Vitória, 14 pessoas seguiam para Curitiba, para o show de rock da banda Aerosmith. Da capital, a van saiu após às duas horas. O motorista diz que ficou na van, durante o espetáculo, junto com um casal que também não teria assistido a apresentação.
Já na estrada, perto do município de São Mateus do Sul, Edilberto parou em um posto de combustível. “Eu queria uma água, mas como não tinha conveniência ali, resolvemos seguir”, explica. A van não rodou muito. Cerca de dez quilômetros depois da parada o acidente ocorreu. “Tentei jogar tudo para o meu lado, para bater em mim”, conta.
A tentativa foi frustrada. Edilberto ficou ferido mas resistiu à colisão. Os outros passageiros também tiveram poucos ferimentos. A exceção ficou com Luis Olavo Contim Neto. Segundo o motorista, ele teria mudado de lugar há dez minutos do acidente. Não há informações oficiais que confirmem ou não o uso do cinto de segurança. O jovem, segundo o Corpo de Bombeiros que atendeu ao socorro, teria sofrido um “desnucamento”. Edilberto precisou de cirurgia no joelho, foi o último a deixar o Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes e, no retorno, parou mais uma vez no lugar da fatalidade. “Não sei se poderia ser pior ou melhor se o acidente tivesse sido diferente. Perto dali tinha um tanque, um rio. Não sei o que poderia ter acontecido”, lamenta.
A van que Edilberto conduzia era nova e estava, inclusive, sem placas. O veículo e os passageiros estavam segurados pela empresa Suprema Turismo.
Nota de esclarecimento
Trago comigo a responsabilidade de transportar pessoas. Não tenho ambições financeiras e nem qualquer ônus pelo pagamento de prestações dos veículos que me forçam agir com imprudência e incoerência nas viagens que faço. Tenho testemunho de inúmeras pessoas que já transportei em viagens noturnas e diurnas, sempre considerando o risco no trajeto realizado.
A lei dos homens irá me julgar com fatos baseados na perícia que deverá ser realizada, mas da minha consciência jamais terá apagado, independemente deste resultado, uma vida que foi tirada alheia a minha vontade. Os pré-julgamentos são injustos a tudo que já realizei. O que conquistei foi com muito trabalho. Ao assumir uma proposta de viagem, analiso toda a probabilidade de realização, não a parte financeira, mas a estrada, a viabilidade de horário, a contratação de suporte humano no trajeto.
Minha experiência em tais eventos supera qualquer expectativa de lucro. Não viajo estressado, em alta velocidade – o que pode ser comprovado através do tacógrafo e em testemunhas das pessoas que já transportei. Durmo quando me sinto cansado e em trajetos que exijam maior desgaste, levo alguém habilitado para troca de condutor.
Sabemos que a perda de um filho é uma das piores dores do mundo e, portanto, peço em público que me perdoem. Não foi proposital, mas sim um acidente. Se fosse minha vontade, trocaria de lugar com o Luis Olávio, mas como só Deus tem o poder, só me resta ficar com essa marca no coração para o resto da minha vida.
Só quero ter o direito de esclarecer os fatos, não são só palavras, mas todas as atitudes que já tomei, em todos esses anos transporto vidas, colocando-me à disposição das pessoas que já transportei a me julgar sobre atos imprudentes que já tomei.