Em ato de coragem Policial evita assalto à farmácia

Ação aconteceu em 22 de março na farmácia Rodocentro no bairro São Cristovão

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Atualizado há 14 anos

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(as da imagens são circuito interno).

Tudo corria bem. Era mais uma sexta-feira, 22 de março de 2013. O expediente na Polícia Militar, como 3º Sargento, já tinha acabado. Mas, o expediente como pai estava apenas começando. O Sargento Almires Bughay Filho foi, por volta de 17h, buscar seus dois filhos na escola, um de seis anos e outro de quatro. Como todo brasileiro, ele também tem contas para pagar. Então, foi até a farmácia Rodocentro do bairro São Cristovão efetuar o pagamento de seus boletos.

Já por volta de 17h10, o Sargento e os filhos chegam até o caixa da farmácia. As crianças e ele conversam com a atendente enquanto ela computa o boleto a ser pago. De repente, algo chama atenção de Bughay. Um homem, aparentemente jovem, entra na farmácia sem tirar o capacete. O instinto do policial falou mais alto neste momento. “Ele entrou na farmácia com “modus operandis” de que iria praticar o assalto”, comenta o PM.

Neste momento, o sargento estava com os filhos e desarmado. O homem, então, se aproximou do caixa e foi puxar a arma do bolso. Neste momento o sargento, a paisana, conseguiu dominar o suspeito e retirar a arma de sua mão. Depois disso, as imagens do circuito interno de segurança mostram Almires tentando coibir a fuga do assaltante. Mas na porta do estabelecimento outro indivíduo com uma motocicleta o esperava. Toda a ação não durou mais do que 15 segundos. “Quando eu consegui retirar a arma dele, entre nós estavam meus dois filhos, mas Graças a Deus consegui efetuar êxito na ação”.

O PM destacou que quando uma pessoa realiza um assalto, o nível de stress dela é muito alto, qualquer descuido pode ter grandes consequências. “Quando ele se aproximou eu pensei, ou eu pego agora quando ele está puxando a arma, ou vou ter que levantar as mãos para cima e não reagir”. Segundo Almires, foi Deus que lhe deu a oportunidade de inibir a ação e salvar vidas. Mas ele também relembra que, depois, os papeis se inverteram. Era o PM que estava com a arma na mão e a vida do assaltante estava agora sobre a responsabilidade dele.

Na hora da fuga Bughay, que estava com a arma em mãos, também se preocupou com o motoqueiro que estava esperando fora do local. “Eu apontei a arma para o motoqueiro também, mas pela segunda vez fui iluminado e não precise tirar a vida dele. Mas eu não sei, se essa seria a mesma reação deles se eu não tivesse agido assim”.

O sargento, que por várias vezes se emocionou ao falar com nossa reportagem, disse que a entrevista também serviu como desabafo.

Depois do susto o policial ainda conferiu se o local estava seguro novamente. “Eu fiquei apreensivo, todos que entravam ou saiam eu perguntava o que iriam fazer na farmácia”.

Os filhos, por mais incrível que pareça, se esconderam atrás de uma coluna próxima ao caixa.

Inicialmente as pessoas acharam que se tratava de uma briga. “Ninguém estava entendendo o que estava acontecendo. A caixa só observou momentos depois que se tratava de um assalto”.

Para trás, os bandidos deixaram a arma e uma mochila onde a quantia roubada seria depositada.

O furto

O furto na farmácia foi frustrado, graças à ação rápida e corajosa do policial a paisana, que nem armado estava. Mas, mesmo assim, ele foi vítima de furto. Depois do assalto frustrado Bughay foi, enfim, concluir o que tinha começado quando chegou à farmácia, pagar as contas. Mas, novamente foi surpreendido. Ele pegou a carteira e notou que, de dentro dela, haviam sido furtados os R$ 500 que seriam utilizados para pagar os boletos. “Na hora me certifiquei de que não havia mesmo efetuado o pagamento antes, as imagens mostraram que isso não tinha acontecido. Mas mostraram também todo o movimento que minha carteira fez e que eu realmente fui vítima de furto”.

Sobre isso, um inquérito já está sendo instaurado na Delegacia de União da Vitória. As imagens do circuito também vão ser periciadas e o suspeito vai ser apontado.

Ele também se lembra de agradecer uma senhora que mostra para o filho onde estava a carteira. Outro agradecimento também vai para um amigo que o ajudou nas buscas pelas imagens.

O Proerd

Há 22 anos na Polícia Militar, hoje em dia o trabalho do Sargento é dedicado a Patrulha Escolar e ao Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd). “Fico triste. Os dois, aparentemente, eram jovens. Acho que até passaram pelo Proerd, mas rezo à Deus por eles também estarem vivos”.

O PM professor ou professor PM?

Durante a entrevista ele também lembrou outras situações vivenciadas durante a carreira. “Uma vez, em General Carneiro, em fevereiro de 2006, aconteceu uma troca de tiros, mas graças a Deus eu e meu parceiro conseguimos prender o meliante, sem precisar tirar a vida dele”.

Mas, como vida de policial é sempre é aos extremos, ele também já realizou um parto no bairro São Cristovão. “Lugar que eu nasci e moro até hoje”.
Bughay ainda tem um sonho para realizar. “Quero encerrar minha carreira na PM trabalhando com o Proerd e a Patrulha Escolar, mas meu grande sonho é lecionar”, finaliza Bughay.

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