EMPÓRIO DO EMPRESÁRIO: Governo e iniciativa privada: os dois Brasis

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Atualizado há 10 anos

O século XXI chegou e juntamente com ele a internet, a democratização do estudo, do consumo e com eles o acesso à informação. Esse acesso favoreceu a população no geral, e também as empresas, pois atualmente pode-se fazer negócios com uma pessoa do outro lado do mundo sem sair de casa, gastando muito pouco, o único necessário é o conhecimento e uns equipamento ou outro.

Bastante diferente da realidade de séculos atrás quando uma mercadoria demorava meses para cruzar o mar, como foi o caso da viagem de Colombo que ao sair da Espanha no dia 3 de agosto tomaria exatos 69 dias chegando na atual Bahamas no dia 12 de outubro de 1492. Nos dias de hoje nem mesmo para se fabricar um carro e entregar na lua demoraria tanto tempo.

Mas essa realidade é constatada na iniciativa privada, porém no âmbito governamental essa realidade também deveria ser válida e o é, pois as tecnologias facilitaram o trabalho do governo de uma maneira avassaladora. Softwares, equipamentos e imagens que registram uma cidade e todos os seus domicílios, edifícios, etc, permitindo que o governo municipal tenha a informação de toda e qualquer construção nova, reforma com aumento de área construída e, assim, tributar. Além disso, podemos citar o caso dos controles informacionais que permitem ao governo tributar no mesmo instante em que uma transação internacional, ou mesmo nacional ocorreu, como é o caso da Nota Fiscal Eletrônica ou a Balança Comercial brasileira, que é contabilizada quase que instantaneamente.

Na verdade o que ocorreu é uma revolução que permite que governo e empresas do setor privado “conversem” de uma maneira que nunca se havia visto até então. Podemos até nos arriscar que a década de 2.000 trouxe uma nova revolução industrial.

O grave problema é que as relações entre governo e empresas do setor privado em vez de se aprimorarem e se direcionarem para uma maior harmonia estão tendendo a se deteriorar. Vemos que esse fato não ocorre com todas as instituições governamentais, muitas realmente se “lapidaram” e até oferecem serviços de qualidade, mas uma parte delas ainda permanece na idade média industrial. Em recente pesquisa, ficou constatado que 70% dos brasileiros acreditam que a baixa qualidade dos serviços públicos é mais consequência da má-utilização dos recursos do que da falta deles.

Interessante perguntar-se o seguinte, se o serviço prestado é de baixa qualidade então seria correto aumentar o número de servidores? A polícia, a polícia ambiental, reclama da falta de contingente e de recursos, a saúde reclama da falta de recursos, os professores do governo reclamam dos salários… Sendo assim, questiono: então deveríamos contratar ainda mais profissionais? Mas estamos dispostos a pagar mais tributos em troca da qualidade?

O fato é que enquanto o funcionalismo público se sentir numa redoma de cristal toda a sociedade sofrerá as consequências. Enquanto os prefeitos, governadores, presidente tiverem o baixo perfil que atualmente vem apresentando (profissionais da política e não profissionais de carreira, bem-sucedidos na vida pessoal) o país não mudará. Quantos de nossos prefeitos, governadores, presidente falam um segundo idioma? Quantos deles tem formação profissional? Quantos tem especialização?

Obviamente, e aqui, reforço as palavras ditas por meu amigo, o sociólogo Dr. Walter Birkner: “o sistema eleitoral brasileiro é perfeito, o erro não é do sistema, mas dos eleitores”. Já é hora de aprendermos a votar, se queremos deixar um país ao menos descente para nossos filhos. Hoje o que vemos se aproxima de um Brasil governamental paleozoico e um privado ultra-moderno.

Alvaro Concha
Consultor de Empresas
alvaroconcha@gmail.com

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