Por Mariana Honesko

O casal é tímido, de pouca conversa, mas unido pelos filhos e trabalho. Em União da Vitória desde sábado, 7, a família não tem apegos. Na cidade ficam até hoje, 11, quando seguem para Ponta Grossa (PR). “Wayra Ñan” e Luz Maria, ambos de 34 anos, vivem assim, sem residência e estabilidade, há quatro anos. “Juntos é a primeira vez que estamos viajando”, comenta o homem.
O jovem já está na vida nômade há mais tempo. Com um colega, conheceu a Alemanha, França e Itália. Para os endereços mais distantes, levou o que sabe fazer de melhor: a música. O jovem toca flauta, em um modelo mais convencional nos países equatorianos.
Vida nômade
Viver sem endereço, ainda que pareça agradável e soe como liberdade, tem seus prós. O casal tem dois filhos pequenos, um de três anos e outro com apenas três meses de vida. Cada um nasceu em um cantinho do país. O mais velho, em Juazeiro do Norte, no Nordeste. O bebê, em Londrina.
Quando estão nas cidades visitantes, dormem em pousadas e sobrevivem da venda de CD’s – todos do jovem – souvenires, “filtro do sonho” e outros produtos artesanais. Nas cidades, o casal também se apresenta. Eles vestem trajes típicos do Equador, cantam à capela nas praças e outros ambientes públicos. Há quem goste, quem não goste, quem ajude e quem faz pouco caso da situação. Além de contar com o apoio de poucos, a família conta com a sorte.
Para os filhos, o casal sonha alto e deseja um futuro mais confortável. “Deus ajude que eles estudem, sejam doutores”, sorri Luz Maria. Mesmo assim, sabem que os filhos podem escolher caminhos diferentes e, quem sabe, viver de música, como a maioria dos familiares. “Se for esse o caminho deles, que seja”, diz a mãe, com simplicidade.