Espaço Cultural: Por Therezinha Wolff

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Atualizado há 13 anos

Educação sem Cultura?

A homenagem que recebi desse Jornal, pela passagem do Dia da Mulher (a qual agradeço) abordou, entre outros, um assunto que é pensamento em relação à educação e à cultura.

Como professora que fui, pela experiência que adquiri nos meios educacional e cultural ao longo dos anos, concluo: num processo de educação formal, sem cultura não há educação.

É o binômio que permite o entendimento com relação a nós mesmos, ao meio ambiente e que leva ao bem estar social.

Bem estar social que não se prende mais ao conceito antigo de assistencialismo/paternalismo. Não se trata somente de fornecer comida, roupa e casa, que são condições materiais, mas dar à pessoa o que precisa para melhorar o desenvolvimento sociocultural.

Em outros tempos tínhamos as “escolinhas rurais”, que sem tirarem alunos do meio em que vivem propiciavam a alfabetização fundamental e uma maior integração de pai e professor, coesos num trabalho formal e cultural.

Com o projeto de Nuclearização, escolinhas fecharam, desapareceram na história da educação e na memória daqueles que por elas passaram.

Hoje, para os mais maduros, as construções servem apenas como pontos de referência, abandonadas que estão.

Embora atualmente tente prevalecer o conceito de globalização, a valorização local persiste e pouco se faz para que tal aconteça. Seria de bom alvitre, antes de transferir a escola para um núcleo, não deixar o prédio antigo a sucatear.

Infelizmente a mentalidade do político tradicional brasileiro é de que ele só fica em evidência se construir alguma coisa nova. Não considera que antes de erguer novas paredes deve conservar as que estão caindo. É realmente um problema cultural, assim como o é também não dar continuidade aos projetos já existentes e que estão dando certo.

Há 40 anos, aproximadamente, quando o Paraná promoveu o primeiro estágio probatório para ingresso no quadro estadual do magistério, tivemos como encargo supervisionar os candidatos que estagiavam nas escolas dos municípios, agregados a então Inspetoria Regional de Ensino de União da Vitória. Eram escolas estaduais e municipais, também na zona rural.

Várias as ocasiões em que observamos dificuldades pelas quais passavam professores e estudantes para chegar à escola. Uma cena é inesquecível: a professora e dois alunos carregando os próprios calçados e o material escolar (pilhas de caderno), escorregando no barro ladeira abaixo. Tudo sem perder a alegria de cantar.

Cenas como muitas outras, inclusive quanto ao mau estado de transporte escolar. Não sei se ainda podem se repetir por aqui.

Está evidente que discurso sobre educação é realmente muito bom, mas as coisas não mudam.

Quando vemos que enquanto alguns municípios, com um pouco mais de recursos, investem realmente na educação, nos decepcionamos com reportagens feitas atualmente que mostram crianças saindo de casa na escuridão da madrugada, caminhando até 4 km por estradas esburacadas, com poças d’agua que as obriga ficarem descalças e suspenderem as barras das roupas para atingirem, finalmente, o ponto da condução que as levará à escola.

Ônibus sem segurança, sem o mínimo de conforto; escolas onde a água, potável deixa de ser; as paredes se deterioram; carteiras são estragadas e insuficientes; ventilação e claridade não há e professores não têm a oportunidade de ampliar sua cultura para oferecer um pouco mais no currículo escolar, indagamos: Evoluímos?

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