Por Mariana Honesko
A decisão da empresa Rodec Estacionamentos, que administra o sistema de estacionamento rotativo em União da Vitória, não caiu no gosto popular. Na segunda-feira, 2, no primeiro dia sem a gratuidade dos dez primeiros minutos nas vagas públicas, as queixas replicaram-se nas áreas cobertas pelo sistema pago. Na verdade, as reclamações começaram já na sexta-feira, 30, quando um grupo liderou a confecção de um abaixo-assinado contra o corte. O documento deve ser enviado ao gabinete do prefeito, Pedro Ivo Ilkiv.

Os lojistas também questionam o fim do benefício e vêem a medida como prejudicial para os clientes que querem, por exemplo, fazer uma compra pequena ou pagar por determinado produto. O prejuízo, dizem, envolve ainda o descarregamento de mercadorias. “Isso é uma barbaridade. Acho justo o estacionamento mas tem que ter essa tolerância. Deveria ter e ser maior, em até 15 minutos”, comenta o empresário Horst Waldraff, uns dos líderes do movimento a favor do retorno da gratuidade.

O microempresário Sidnei dos Santos tem opinião contrária. Para ele, o fim do desconto é uma maneira de evitar multas. “Porque, pensando bem, a gente acaba ficando aqui e esperando as moças chegarem. Às vezes naquela saída, você acaba recebendo a multa”, avalia. A funcionária pública Sônia Maria Ribas pertence ao time de quem vota contra o fim da gratuidade. “Você tem que pagar 30 minutos quando às vezes a gente só precisa parar para fazer algo bem rápido”, avalia, ao comprar um novo bloco para deixar no carro.
As queixas que são comuns nas ruas, contudo, não ganham mais formalidade. De acordo com a gerência da empresa que explora o serviço na cidade, as reclamações no primeiro dia do corte são menores do que em dias normais, quando a gratuidade estava liberada. “Está bem calmo, bem tranquilo. As reclamações são normais, mas já menores. A maioria gostou”, avalia a gerente Vanilda Lima.
O anúncio do corte na cortesia foi dado no mês passado. A empresa apoia-se no contrato e na legislação municipal: ambos não mencionam a obrigação da concessão deste benefício. Desde 2006, contudo, quando foi implantado, a ausência de cobrança favoreceu a adaptação da comunidade ao novo modelo. Além de não estar previsto, os dez minutos de isenção transformaram-se em álibi. Muitos motoristas adotaram este período como regra e deixavam de usar os cartões convencionais.
Empresa sinaliza pontos de venda
Com a mudança, a Rodec aumentou o número de locais que podem vender os cartões. Os novos endereços foram fixados atrás das placas que indicam os setores pagos. Na mídia, os endereços também foram divulgados com antecedência, para garantir a compra antecipada dos cartões e evitar a geração de avisos de notificações e multas.