Por Mariana Honesko

Nas palavras de um dos coordenadores da festa, a descrição é de um evento que surpreendeu e de um fenômeno que impressionou. “Desceu que era um foguete”, sorri, Alceu Jung, o popular “Brasa”. A referência é para a queima da fogueira. Veloz e forte, bastaram apenas pouco mais de duas horas para que toda a estrutura viesse abaixo, consumida pelo fogo. “Ela foi acessa perto das 21 horas e já às 23h30, estava toda queimada já”, conta.
O acendimento da fogueira, que encerrou uma espera de dois meses, quando o efeito não foi alcançado, em julho, foi acompanhado por uma multidão de pessoas. Moradores do bairro e visitantes de outras comunidades celebraram juntos o cinqüentenário de um dos mais tradicionais roteiros de Porto União. A festa, realizada no sábado, foi uma experiência inédita, marcada, na avaliação da organização, por alguns tropeços mas superados pela retomada da emoção no público. Durante o acendimento da fogueira, promovido pelo prefeito, Anízio de Souza e pelo vice, Aluísio Salvatti, muitos se emocionaram. O show de fogos de artifício, logo após a queima, veio mais tímido do que nas edições anteriores mas também conquistou o apreço do público. A aprovação se refletiu também nas vendas de bebidas e alimentos. “Vendemos 300 quilos de xixo, o chopp foi muito bem e na cozinha, foi tudo”, comemora Brasa.
A homenagem para a família do então prefeito, Salustiano Costa Junior, também agradou. Salustiano, em agosto de 1963, sancionou o decreto que batizava a comunidade de “Tócos” em bairro São Pedro. “Os familiares que estavam lá gostaram muito da homenagem. Hoje (esta segunda-feira) muitos nos ligaram pra agradecer, pra dizer que gostaram muito”, conta Brasa.
Além dos discursos que antecederam o acendimento da fogueira, a missa em prol dos 50 anos da comunidade também homenageou os familiares do prefeito. Egon Koerner Junior, procurador regional do trabalho, veio de Florianópolis especialmente para participar da cerimônia. Representando a família, ele discursou e lembrou o curto mas, segundo ele, especial, convívio que teve com o avô. A tabeliã, Francis Costa Benghi, do Cartório Costa, garante que ficou bastante contente com a lembrança. “Fiquei muito feliz com a homenagem. Achei muito bonita e acabei conhecendo mais da vida dele”, diz. Francis não chegou a conhecer o avô. Salustiano morreu aos 50 anos, vítima de um acidente fatal em 1965. “E eu não sabia que ele havia dado o nome da comunidade de bairro São Pedro”, sorri. O advogado, Robert Salustiano Koerner, outro neto de Salustiano, também acompanhou a solenidade. Para ele, o reconhecimento da comunidade para uma autoridade já há décadas falecida é digna de elogios. “Achei muito bacana. A comunidade lembrou de uma pessoa falecida já há quase 50 anos”, comenta. A possibilidade de reunir a família de novo, também agradou. Pequena, ela havia se distribuído para outras cidades e o contato, havia se tornado mais difícil. Na cerimônia, apenas dois dos seis netos do prefeito não estiveram presentes. “A história se perde e isso permitiu que a gente se reunisse”, sorri Robert.
Indefinição sobre calendário de eventos
A festa que marcou o cinquentenário do bairro estreou no calendário de festas da cidade. De acordo com a organização, contudo, sua colocação como oficial ainda precisa de avaliação. Inicialmente, o que não se quer é colocar em xeque a tradicional festa da fogueira, realizada em julho. Ao mesmo tempo, a intenção é manter na lembrança – e com festa – o aniversário da comunidade.



