Por Gisele Sotto e Rafael Pimenta – da Revista Imprensa
A sexta edição do Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, realizada na terça-feira, 6, no auditório do Museu da Imprensa Nacional, promoveu o debate sobre a liberdade de imprensa jornalística, casos de censura judicial a veículos no Brasil e exterior, além da segurança, os desafios e as ameaças ao livre exercício da profissão.
Na abertura, Sinval de Itacarambi Leão, diretor responsável de IMPRENSA, lembrou que democracia não existe sem liberdade de imprensa e argumentou a necessidade do fórum. “Nos primeiros meses de 2014, quatro, de 27 jornalistas mortos em todo o mundo, eram brasileiros. Em dois anos, o Brasil despencou 12 pontos na classificação geral de liberdade de imprensa. Isso explica a necessidade desse fórum. Por que tantas mortes? Em anos eleitorais esse número tende a crescer, principalmente nos rincões do país”.
Segundo Théo Rochefort, diretor de comunicação e relações institucionais da Abert, um relatório da associação registrou, entre junho e outubro do ano passado, 105 ataques e ameaças à imprensa. “O padrão de conduta policial no Brasil precisa mudar para acompanhar um processo de evolução democrática. Com a morte de Santiago Andrade, da Band, recorremos ao Ministério da Justiça para oferecer garantias de segurança aos jornalistas”, comentou.
José Carlos Torves, diretor de relações institucionais da Fenaj, destacou a necessidade de firmar um protocolo de segurança. “A Fenaj tem uma grande preocupação com a liberdade de imprensa no país, pois está cada vez mais difícil de trabalhar. Além do que a mídia noticia, há assassinatos que não saem na imprensa e que acontecem no interior do país”, lembrou.

Na conferência de abertura, o Ministro Ayres Britto e Alexandre Jobim discutiram as restrições aplicáveis aos veículos no período de eleições, por serem consideradas limitadoras à garantia de liberdade de comunicação social prevista na Constituição da República.
O painel sobre censura prévia, com Cristina Serra, Denise Rothenburg, Eliane Cantanhêde, Milton Blay e Ricardo Gandour, teve como destaques a discussão sobre a proibição judicial imposta ao Estadão de tratar a “Operação Boi Barrica”, da Polícia Federal, sobre atividades do empresário Fernando Sarney; além da ação movida contra o Correio Braziliense impedindo a publicação de notícias referentes ao escândalo conhecido como “Caixa de Pandora”, envolvendo o ex-governador do DF Joaquim Roriz.
Esta edição do fórum marcou o lançamento, pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), de um relatório especial sobre a liberdade de imprensa no Brasil, que foi comentado por Carlos Lauría e María Teresa Ronderos. Clarinha Glock, pesquisadora da Abraji, apresentou uma preliminar da pesquisa feita com repórteres e jornalistas agredidos. O material resultante deste trabalho vai servir de base para um futuro guia ou manual de segurança para jornalistas em coberturas de manifestações e protestos no Brasil.

No encerramento do fórum, os familiares de jornalistas mortos – Vladimir Herzog, Tim Lopes, Santiago Andrade e Valério Luiz – debateram a herança da violência contra jornalistas, como esses episódios alteraram suas vidas e quais ações estão tomando para não deixar as mortes caírem no esquecimento.
Atendendo ao convite feito por Sinval de Itacarambi Leão, o diretor executivo do Grupo Verde Vale de Comunicação, Caíque Agustini, participou do evento em Brasília.