
Muita gente passa todos os dias por ele, mas nem todos o notam. Ele está ali, há bastante tempo. O busto de homenagem ao Frei Policarpo, é um monumento que revela um pedacinho da história da própria União da Vitória. De certa forma, ele traz à tona o tema violência, que já na década de 30 existia.
Quem não conhece a história do Frei, se surpreende ao saber que sua morte foi causada por bandidos. Sim, ele foi morto à tiro. O episódio, que enlutou a comunidade católica da época, está registrado com riqueza de detalhes no Livro Tombo da Catedral, cuja abertura foi assinada em 1917 pelo Frei Rogério. “Na madrugada do dia 22 de agosto, de 1939, dia de Nossa Senhora dos Prazeres, ele foi vítima de um roubo. Ele saiu na porta e foi fuzilado. Eram dois irmãos e outro comparsa. Foi socorrido, e levado ao Hospital São Braz, mas às 4 da manhã veio à óbito”, relembra o padre Silvano, pároco da Catedral, amparado pelo Tombo.
É provável que a tentativa de roubo tenha acontecido por que dias antes, houve uma festa na Igreja. Talvez pensando que o Frei estivesse com dinheiro, os bandidos entraram em ação. Acontece que, conforme relatos da época, todo o lucro do evento já tinha sido depositado em uma conta da Igreja.
Conforme a obra, o Frei foi sepultado no final da tarde daquele mesmo dia. Mais de duas mil pessoas teriam acompanhado a despedida. “Inclusive um dos bandidos teria até carregado seu caixão. Pouco tempo depois os bandidos foram presos e condenados há 30 anos”, observa o religioso. O corpo foi sepultado no Cemitério Municipal de Porto União, no jazigo dos Freis Franciscanos, mas em setembro de 1989, foi transferido para o jazigo da Congregação que ele fundou, no Sul.

O assassinato aconteceu onde hoje funciona a capela da Catedral. Para quem está de frente para a Igreja, este espaço fica no lado esquerdo. Na época, até 1958, o local era a casa canônica, onde os padres se hospedavam. Atualmente, isso fica no mesmo prédio da secretaria. “Frei Deodato atendeu o Frei Policarpo nos últimos momentos dele. Ele deu a absolvição, a Unção dos Enfermos, e às 4 horas daquele fatídico dia, como Frei Policarpo faleceu com os olhos abertos, coube-lhe a missão de fechar suas pálpebras”, acrescenta padre Silvano.
A história do Frei é narrada entre os fiéis que a conhecem e na comemoração do centenário da Catedral, se tornou mais evidente a partir da publicação de um Boletim Extraordinário, montado pelo padre Silvano, onde os episódios mais importantes ocorridos na Igreja, foram narrados. O busto que está ao lado da secretaria foi colocado ali na comemoração dos 50 anos da morte do religioso.
Frei Policarpo nasceu na Alemanha em 1873. Em 1899, chegou ao Brasil, e em 1932 assumiu a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, a Catedral de União da Vitória. Na cidade, ficou por seis anos, até sua morte. “Era um homem humilde, coerente com sua fé”, observa o padre Silvano.
“No dia 22 de agosto de 1939, dia de Nossa Senhora dos Prazeres, há 1 hora e meia mais ou menos da madrugada, penetraram dois criminosos no interior da casa canônica. Frei Policarpo, acordado pelo ruído, saiu do quarto dele para o corredor, onde foi recebido pelos malfeitores a tiro de revólver. Fugindo, deixaram-no tombado numa poça de sangue” – do Livro Tombo, da Catedral de União da Vitória