FRICESP: Nem sinal dos velhos tempos

Parque de Exposições Jaime Ernesto Bertaso vive dias bem diferentes de seu auge. Cenário de shows e feiras agropecuárias, espaço amarga condições precárias

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

Portas de acessos aos pavilhões estão abertas mas danificadas: sujeira e mau cheiro não atraem
Portas de acessos aos pavilhões estão abertas mas danificadas: sujeira e mau cheiro não atraem

Ele já foi palco para memoráveis eventos. Nos pavilhões ou nas amplas áreas abertas, shows, leilões de gado, feiras e mostras, atraíram multidões. Referência para eventos industriais e comerciais, o Parque de Exposições Jaime Ernesto Bertaso está longe dos grandes feitos, como os que eternizaram a Fricesp. De tão popular, a Feira Regional de Indústria, Comércio e Serviços Públicos, acabou batizando novamente o espaço.

No entanto, as atuais condições do parque têm chamado a atenção da comunidade. Nesta semana, moradores do Jardim Roseira, bairro onde está o empreendimento, denunciaram o lançamento clandestino de lixo na estrutura do parque. De fato, atrás dos pavilhões, montanhas de resíduos acumulam-se. Restos da poda de jardins, de pequenas reformas, lixo eletrônico e vasilhames, modificam a paisagem do complexo. A comunidade não soube informar de quem é o lixo, mas afirma que ele chega em caminhões.

A precariedade não muda apenas o visual. O mau cheiro é quase uma constante e é fruto da presença, também clandestina, de moradores eventuais. Há marca da presença de vândalos em todos os lados: os vidros das janelas e portas estão quebrados, escadarias exalam sujeira, os banheiros revelam-se depredados e as paredes estão pichadas. O que não teve intervenção humana amarga os efeitos do tempo. Alguns boxes externos expõem sua fragilidade: muitos estão com o telhado cobertos e tem pilares, em madeira, soltos. O Parque segue com portões danificados, mas sempre abertos.

De acordo com a Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo de União da Vitória, a prefeitura é a responsável pelo imóvel. O setor garante, porém, que o espaço não está abandonado. “O que ocorre é que um imóvel quando não passa por manutenção ou pequenos reparos, vai se deteriorando, e isso não é de hoje. Faz muitos e muitos anos que nenhum prefeito se preocupou em investir na estrutura das instalações deste imóvel”, afirma o secretário, Luílson Schwartz.

Acesso principal, às margens da rodovia, tem banheiro quebrado, portões destruídos e pichações em todos os lugares
Acesso principal, às margens da rodovia, tem banheiro quebrado, portões destruídos e pichações em todos os lugares

Conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, a estrutura do parque está obsoleta e é por isso que há algum tempo já não desperta tanto interesse. Pelo menos, não do Poder Público. “Temos algumas empresas bastante interessadas, pois o local se tornou uma região nobre, pela condição e reforma da rodovia que passa em frente ao imóvel, bem como as benfeitorias e acessos viabilizados com aquela reforma”, revela Schwartz. De fato, até o acesso aos portões do parque foram asfaltados por conta da intervenção na BR-153. O Jardim Roseira tem ainda trincheira de uso exclusivo. “E também há possibilidade de projeto de modernização, remodelar para que o espaço tenha uma versatilidade, para abrigar uma feira industrial ou comercial, ou até de serviços, um show em espaço coberto, teatro, anfiteatro, centro de convenção”, acrescenta o secretário.

Não é oficial, mas a prefeitura acredita que há pelo menos quatro anos o parque não recebe nenhum espetáculo. A exceção é para os leilões de gado, promovidos pela Secretaria da Agricultura. O mais recente ocorreu em abril, mas utilizou apenas parte da estrutura. Segundo a equipe da Secretaria, o local dos leilões, bem como as baias, estão em bom estado. A Agricultura promove duas feiras agrícolas por ano e em todas, descarta o uso dos pavilhões. Ainda, há alguns anos, o então secretário da pasta, Rubens Konell Filho, promovia anualmente a Feira de Gado Geral. Tradicional, o evento tornou-se referência e atraía multidões. Konell Filho, inclusive, mostrou-se incansável diante das intervenções que o complexo exigia. Mais do que foco no potencial do espaço, o médico veterinário tinha afeto pelo endereço e acreditava na força de sua estrutura.

fricesp0020O Parque de Exposições foi construído nos anos de1980. O espaço fica na BR-153, quilômetro 489, no bairro Jardim Roseira.

Fricesp

Era realizada todos anos, com exposição de máquinas agrícolas, artesanato e produtos regionais – portas e janelas, por exemplo. Na Feira de Sabores, evento paralelo e promovido no mesmo ambiente, eram comercializados os produtos coloniais.

Fotos:Bruna Kobus/Jornal O Comércio

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