Por Mariana Honesko

Achar uma vaga no estacionamento público em União da Vitória e Porto União não é uma tarefa tão simples. Especialmente no centro, elas estão cada vez mais raras. Não é ilusão de ótica: o aumento da frota é real e comprovado por números. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam o que o Departamento de Trânsito (Detran) também aponta: o número de veículos está crescendo em uma velocidade de difícil entendimento para o Sistema Viário. A mudança na quantidade não altera o número de vagas disponíveis, e também não cria rotas alternativas. Na maioria dos casos, o desenho das ruas é idêntico ao seu formato original.
Para especialistas, o consumo exagerado de carros e motos é consequência de uma política pouco aquecida de investimento em Transporte Público. Cultura e status também interferem nas negociações. “A facilidade no crédito ajuda também, e expansão tem prazo de validade”, analisa o diretor do Departamento de Trânsito de Porto União, César Viganó. Para ele, o ritmo de crescimento pode colocar em risco as 504 vagas ainda disponíveis na cidade. “Em grandes centros, não se encontra mais vagas para estacionar. Tudo é pago. Nas vagas públicas temos que ainda lembrar das vagas para deficientes, idosos e as preferenciais, como as da farmácia, por exemplo”, explica.
Em Porto União, a média é de 10% de crescimento no número de carros por ano. Dados do Detran de Santa Catarina mostram que em 2002, a cidade tinha 6.446. Neste ano, já são 17.278 veículos em circulação. Em um ano, cerca de 1.200 carros saem das lojas e vão para a rua. Boa parte deles são novos, fruto das campanhas de incentivo do Governo Federal. O desconto do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) é o mais popular. O estímulo, além de baratear os custos, inchou as ruas e quase colocou fim às revendas de usados.

O empresário Evaldo Faerber é um dos sobreviventes. Com 23 anos de empresa, ele mantém as vendas aquecidas, mas tem saudade dos tempos melhores. “Já teve meses em que chegamos a vender até 45, 50 carros. Hoje, em um bom mês, vendemos 17, 18 carros”, revela o diretor administrativo da Rolcar Veículos. As vendas melhores, para ele, eram na época em que as financeiras não exigiam tanto. “Hoje, uma vírgula errada e não sai o financiamento”, explica.
Mesmo assim, as vendas ocorrem e também garantem acesso fácil às motocicletas. Elas, tal qual o carro, saltaram em vendas. Em Porto União já são 4.226, um pulo considerável em relação ao ano de 2002, quando na cidade apenas 738 motos circulavam. Em União da Vitória, o número esbarra na cidade vizinha: hoje, 4.718 exemplares estão em circulação. No lado paranaense, o número de veículos impressiona: são 28.189. Em 2011, haviam 26.449 carros na cidade, um aumento de quase dois mil novos carros em apenas um ano.

Para o diretor do Sistema de Trânsito (Uvtran) no município, o número não é tão expressivo assim. “Ainda temos capacidade para absorver estes carros. O nosso maior problema é a questão do uso das mesmas ruas. Enquanto uma está cheia de carros, outras têm muito menos”, aponta Delunir Estoquero. “Esse aumento ainda é razoável”, completa. Ele não soube dizer exatamente o número de vagas disponíveis na região central, mas aposta no melhor uso das que existem. Ainda assim, acredita que há quem, pelo conforto, deixe de encontrar o melhor “endereço”. “Antes, sem o Sistema Rotativo, as vagas eram ocupadas por quem trabalhava no centro. Agora, estas pessoas deixam o carro mais longe, andam mais”, avalia.
Quem ainda anda de lotação?
A falta de costume também está associada às condições do Sistema Público de Transporte. Nas Cidades Irmãs, a empresa Piedade explora o serviço e trabalha com folga. “Hoje a oferta que a gente tem poderia atender 40% a mais do que atende”, revela o gerente Leandro Kretschmer. A referência é para a frota de veículos. A Piedade trabalha com 32 veículos e faz roteiros na área urbana – a R$ 2,35 – e rural – R$ 5,50. “Até o preço da passagem poderia ser menor. Conforme a quantidade de pessoas que utilizam o serviço, ele pode cair”, explica.
Mesmo com uma demanda aquém do esperado, cerca de 220 mil bilhetes são vendidos por mês. A falta de um melhor uso do Sistema, para Kretschmer, é fruto de uma combinação de fatores, entre eles, a concorrência com as bicicletas. “Elas fazem bem para a saúde, não poluem o ambiente e não tem custo para as pessoas”, comenta. “Há também as empresas que não dão vale-transporte e horários ruins para pegar o ônibus”, acrescenta. O ritmo mais lento no uso das linhas já exigiu mudanças. Alguns horários precisaram ser remanejados. À noite, especialmente, os ônibus são usados com pouca frequência. Não raro, vários deles foram e voltaram sem nenhuma parada.
Quase toda população tem carro
De acordo com o IBGE, a média garante um carro para cada duas pessoas. Basta fazer as contas. Em União da Vitória, para uma população de 55.467 pessoas, há 28.189 carros: a média é de um carro para quase duas pessoas. Em Porto União, a folga é um pouco maior. Na população de 34.551 pessoas, há 16.113 veículos. A média é de um carro para 2.14 pessoas. O número de habitantes leva em conta, segundo o IBGE, a quantidade de crianças. Assim, a relação entre este número e a quantidade de carros, é bem mais estreita.